O decreto concede mais poder aos agentes, dando-lhes autoridade para deter indivíduos, cria uma nova agência e coloca a espionagem sob a alçada da Secretaria-Geral da Presidência, chefiada por Karina Milei, irmã do presidente libertário.
Diversos veículos de imprensa noticiaram que o Poder Executivo publicará o DNU nesta sexta-feira, segundo o qual a Secretaria de Estado de Inteligência (SIDE) permanece como órgão superior, mas um escritório de Segurança Cibernética é adicionado dentro do Gabinete.
De acordo com o Decreto de Emergência, o novo escritório ficará subordinado à chefia do Estado-Maior, chefiada por Manuel Adorni, um aliado importante da Secretária-Geral da Presidência, Karina Milei. O órgão será denominado Centro Nacional de Cibersegurança e funcionará como uma agência descentralizada da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, conforme noticiado pelo jornal La Nación.
O decreto detalha, em primeiro lugar, que a Secretaria de Estado de Inteligência (SIDE) poderá solicitar “assistência ou apoio técnico e logístico das Forças Armadas, das forças de segurança federais e da polícia”.
Contudo, o Artigo 19 estabelece que os órgãos do Sistema Nacional de Inteligência (SIN) serão responsáveis pela segurança e proteção de suas instalações, bens, pessoal, operações e informações, e estão autorizados a repelir e/ou impedir quaisquer ataques que os coloquem em risco.
Acrescenta ainda que poderão fazê-lo em qualquer local onde sejam realizadas atividades de inteligência, seja de forma permanente, temporária ou circunstancial.
O portal de notícias digital Urgente24 considera fundamental o parágrafo que afirma que todas as “medidas devem ser adotadas em todo o Setor Público Nacional, sob a responsabilidade dos chefes dos órgãos e agências que o compõem”.
O Urgente24 acredita ser evidente que figuras poderosas estão por trás deste Decreto de Emergência Nacional (DNU) e que seu objetivo aparente é transformar o Estado Nacional em uma enorme estrutura de contraespionagem, a ponto de responsabilizar os chefes de todas as agências por “Medidas de Segurança de Contraespionagem”.
“Isso seria lógico durante a ditadura do General Jorge Rafael Videla. É muito surpreendente em 2025. Mais uma confirmação de que a Argentina ainda vive em uma democracia incipiente”, comenta o veículo.
E ilustra: “Por exemplo, o Secretário de Educação aplicando contraespionagem focada em sindicatos de professores universitários, ou o Ministro da Saúde investigando médicos e enfermeiros”.
Destaca como ponto “muito importante” que Informações Classificadas “não podem incluir dados que ocultem subornos e que não comprometam a segurança ou os interesses nacionais”, e cita como exemplos os escândalos de corrupção na Agência Nacional de Deficientes ou o golpe multimilionário envolvendo a criptomoeda falsa $LIBRA.
O Decreto de Emergência (DNU) consolida tudo relacionado à inteligência criminal, à inteligência militar e à inteligência estatal em uma espécie de “corporação”, diminuindo o escopo — observa o próprio decreto — da Diretoria Nacional de Inteligência Militar Estratégica da Argentina, órgão do Sistema Nacional de Inteligência, subordinado ao Ministério da Defesa.
A reestruturação levanta uma questão: devemos esperar a chegada de um “Grande Combatente” na área de Inteligência ou, na falta disso, as novas áreas devem buscar o alinhamento total (100%) com os serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel, a ponto de operarem de forma integrada? Ou ambos ao mesmo tempo, questiona o Urgente24.
mem/mh/bj





