Sábado, Junho 13, 2026
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O cerco a Cuba busca eliminar um símbolo de rebeldia

Bogotá, 18 de fev (Prensa Latina) As medidas punitivas impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, além de sufocarem seus cidadãos, visam eliminar um símbolo de resistência e rebeldia global, argumentou hoje o colunista Jairo Estrada.

Em um artigo intitulado “A Guerra Econômica contra Cuba e o ‘Eterno Baraguá'”, o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Nacional da Colômbia apontou como o sufocante cerco de Washington busca “demonstrar — por meio de um exercício brutal — que é impossível conceber uma formação social diferente do capitalismo”.

Segundo este especialista, trata-se de uma tentativa de impor uma punição insuperável aos ideais e ao movimento operário concreto, buscando simultaneamente prefigurar cenários presentes e futuros para a ação política, nos quais não há espaço para projetos que questionem os fundamentos sobre os quais se constrói o modelo capitalista.

“A heroica experiência acumulada por Cuba na busca por uma sociedade alternativa — sem ter tido uma oportunidade estável e duradoura para demonstrá-la, porque lhe foi negada — deve ser reduzida a um único resultado possível: o fracasso”, denunciou.

Dessa perspectiva, alertou, não se trata apenas de Cuba, mas sobretudo do que essa experiência representou para a resistência e a rebeldia de nações e povos em todo o mundo, particularmente para aqueles que lutaram por dignidade, independência, soberania e autodeterminação.

Neste ponto, Estrada alude ao Protesto de Baraguá, evento no qual o general da independência cubana, Antonio Maceo, recusou-se em 1878 a negociar a paz com a Espanha sem a independência, após uma década de guerra pela libertação da ilha caribenha.

O colunista evocou a frase proferida por Fidel Castro, na qual afirmou que “Cuba será uma eterna Baraguá”, significando que o espírito rebelde de seu povo prevalecerá em quaisquer circunstâncias.

“A eterna Baraguá, como parte inseparável de uma condição muito particular da sociedade cubana, que certamente persistirá nos tempos cada vez mais difíceis que se avizinham, exige hoje o internacionalismo e a solidariedade que Cuba ofereceu em diferentes momentos do que se caracterizou como a experiência da Revolução Cubana”, declarou o acadêmico.

Não há espaço para indiferença ou apoio morno, enfatizou, e afirmou ainda que o momento exige determinação e posicionamento do lado certo da história. Em seu extenso artigo, publicado na revista Izquierda, o autor analisa a história recente de Cuba, seu conflito com os Estados Unidos e os efeitos devastadores de um bloqueio econômico, financeiro e comercial que se aproxima de seu 65º ano.

“Além da vida em Cuba, que também está em risco, o que está em jogo é o que esse país representa para toda a humanidade”, concluiu Estrada.

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