Domingo, Fevereiro 22, 2026
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Entram em vigor tarifas e encarecem comércio Equador-Colômbia

Quito, 1 de fev (Prensa Latina) As tarifas alfandegárias de 30% entre o Equador e a Colômbia entram em vigor hoje, uma medida impulsionada por Quito que encarece o intercâmbio bilateral e que, segundo setores produtivos, terá impacto econômico em ambos os países.

A partir deste domingo, o comércio começará a operar sob o novo esquema, depois que o governo equatoriano aplicou a chamada “taxa de segurança” às importações colombianas.

A medida foi anunciada em 21 de janeiro pelo presidente Daniel Noboa, em meio a acusações de falta de cooperação por parte da nação cafeeira em ações contra o narcotráfico e a mineração ilegal na zona fronteiriça.

A Colômbia negou essas acusações e, em resposta, impôs uma taxa equivalente aos produtos equatorianos e suspendeu a venda de eletricidade ao Equador, que utilizava essa energia para compensar seu déficit e preservar os recursos hídricos.

Em seguida, Quito decidiu aumentar o preço do transporte do petróleo colombiano pelo Sistema de Oleodutos Transecuatoriano (SOTE), onde a tarifa passou de três para 30 dólares por barril.

Associações empresariais de ambos os países alertaram que a aplicação simultânea das tarifas provocará perda de empregos, aumento de preços e riscos de desabastecimento em duas economias altamente integradas.

A presidente da Câmara de Indústrias e Produção do Equador, María Paz Jervis, alertou que cerca de 200 mil empregos estão em risco, além das pressões inflacionárias sobre os bens de consumo.

Em 2025, a Colômbia exportou para o Equador US$ 1,921 bilhão em medicamentos, alimentos, cosméticos, peças automotivas e bens agroindustriais, agora tributados com a tarifa equatoriana.

O Equador, por sua vez, vende arroz, óleo de palma, atum, cacau e manufaturas para a Colômbia.

O arroz equatoriano enfrenta um dos cenários mais severos, já que a partir deste domingo não pode entrar na Colômbia por via terrestre.

Apesar dos pedidos do setor produtivo para revisar a decisão antes de sua aplicação, uma reunião reservada de ministros das Relações Exteriores no Panamá terminou sem resultados.

Neste sábado, pouco antes da “hora zero”, os caminhões que transportam carga se acumularam na ponte internacional de Rumichaca, única passagem fronteiriça legal atualmente habilitada para o trânsito terrestre entre os dois países.

lam/avr/mb

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