A Dra. Mayada Jundiya, chefe do departamento de pediatria do Hospital Infantil Especializado Abdul Aziz Al-Rantisi, anunciou que Haitham Abu Qas faleceu antes de chegar ao local.
Jundiya explicou em um comunicado que este caso elevou para 11 o número de mortes infantis devido ao frio desde o início do inverno no enclave costeiro, devastado pela agressão israelense.
A esse respeito, a especialista denunciou as duras condições de vida dentro das tendas para deslocados, entre as quais citou a falta de aquecimento, o que representa uma ameaça direta à vida dos bebês.
As crianças diferem radicalmente dos adultos em sua capacidade de tolerar baixas temperaturas porque não têm tecido adiposo suficiente para reter o calor corporal, têm maior área de perda de calor e uma reserva energética limitada, ressaltou.
Além disso, alertou sobre a incapacidade das crianças de expressar a sensação de frio ou pedir ajuda, o que as leva rapidamente a entrar no círculo de perigo sem que os pais percebam, em muitos casos.
Jundiya confirmou que a maioria das crianças falecidas sofria de hipotermia grave, apesar das tentativas de suas famílias de aquecê-las com roupas e cobertores.
Destacou que o problema não reside apenas na falta de cobertores, mas também no ambiente, pois as famílias vivem em barracas expostas ao vento e à umidade.
Considerou que a demora em procurar o hospital foi um fator decisivo em muitas mortes e, por isso, pediu aos pais que procurassem os centros de saúde mais próximos assim que notassem uma diminuição na temperatura da criança.
No entanto, ele esclareceu que o Hospital Al-Rantisi enfrenta sérios desafios para tratar casos de bebês, especialmente aqueles com hipotermia, devido à grave escassez de recursos.
As autoridades de saúde do território anunciaram na última segunda-feira a morte por essa causa de uma mulher de 63 anos, encontrada congelada em frente à sua barraca na zona sul de Al-Mawasi.
Anteriormente, a última vítima mortal infantil foi Ali Abu Zur, de três meses, que perdeu a vida em 22 de janeiro na cidade de Gaza e, dias antes, Shatha Abu Jarad, de sete meses, faleceu na mesma cidade.
Tanto a ONU quanto ONGs internacionais e o governo palestino alertam quase diariamente sobre a grave crise humanitária na região, onde quase toda a população está deslocada e vive em barracas, muitas delas em más condições.
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