Sexta-feira, Janeiro 02, 2026
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Brasil 2026: A Batalha pelo Congresso e pelas Urnas

Brasília, 2 jan (Prensa Latina) O Brasil encerrou o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com melhorias econômicas visíveis, mas em meio a intensas disputas políticas no Congresso Nacional e, a partir de hoje, se prepara para um complicado ciclo eleitoral.

Como o 39º chefe de Estado do país, Lula completou uma longa jornada em meio a um mar de correntes.

De um lado, os números para comemorar. O desemprego está caindo, a desigualdade está diminuindo e a inflação finalmente está se estabilizando.

Do outro, a turbulência política que não dá descanso ao governo, obrigando-o a remar com dificuldade em um Parlamento que raramente lhe oferece um vento favorável.

O fundador do Partido dos Trabalhadores encerrou 2025 com a sensação de ter cumprido sua promessa. Em primeiro lugar, a de que a nação voltaria a respirar, a fome diminuiria e a economia deixaria de ser um fantasma.

Parte disso aconteceu. O Banco Central está revisando suas projeções para cima. A arrecadação de impostos está batendo recordes. As famílias estão vendo suas rendas crescerem, ainda que lentamente.

O discurso do ex-líder sindical — de que gastar com educação e saúde não é uma despesa, mas um investimento — deixou de ser apenas um slogan e se tornou uma realidade tangível no cotidiano de milhões de pessoas.

Mas o custo político foi alto. Nada era automático. Nada era gratuito. Cada votação no Congresso parecia mais uma batalha do que uma formalidade.

As derrotas ocasionais, os projetos de lei surpresa, as agendas hostis que emanavam da Câmara dos Deputados e do Senado eram lembretes constantes de que governar em minoria é como caminhar em terreno emprestado.

O Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, acostumou-se a negociar incansavelmente, a dar passos para trás para avançar, a celebrar pequenas vitórias como se fossem grandes triunfos. Porque, na verdade, às vezes eram.

Enquanto isso, a oposição nunca descansou. O Senado tornou-se uma arena decisiva. As disputas em torno do impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal, as tensões institucionais, as manobras legislativas — tudo isso começou a pintar um quadro que inevitavelmente aponta para 2026.

É lá que o verdadeiro teste será realizado: quem controla o Senado, quem domina a Câmara dos Deputados, quem detém a chave para grandes mudanças ou para um impasse total. Lula sabe disso.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, seu opositor mais ferrenho e que atualmente cumpre longa pena por liderar um golpe de Estado, também sabe.

Ambos dizem a mesma coisa, ainda que com palavras diferentes: o futuro do Brasil não será decidido apenas pelo Executivo. Dois terços do Senado estarão em disputa. A direita sonha com uma maioria capaz de redefinir os limites da política e até mesmo do Judiciário.

Os apoiadores de Lula buscam se proteger de ter que governar sob cerco novamente. Tudo isso acontece enquanto a economia tenta consolidar sua recuperação e a parcela mais pobre da população começa a sentir novamente a presença do Estado.

Assim, o terceiro mandato terminou como começou: em tensão. Mas não se trata mais da tensão da reconstrução após o naufrágio democrático, e sim da tensão de um país que debate intensamente seu rumo.

Lula inicia seu quarto mandato com uma certeza: sem o Congresso ao seu lado. As eleições não serão apenas sobre indivíduos, mas sobre projetos de poder. Os eleitores terão que decidir se dividem ou unem forças.

Mais uma vez, o gigante sul-americano se olha no espelho. E o reflexo mostra conquistas reais, feridas abertas e uma luta que apenas começou.

Em meio a progressos sociais e tempestades políticas, Lula prepara sua nova batalha para convencer o país de que governar sozinho não basta. É preciso conquistar apoio. E desta vez, mais do que nunca, no Parlamento.

A questão central paira no ar: quem realmente deterá o poder depois de 2027? O presidente ou o Congresso? O governo ou a maioria parlamentar? Essa resposta não será encontrada em discursos, mas nas urnas. E o Brasil já começou a decidir.

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