Candidato derrotado à presidência nas eleições gerais de 2025 e agora um aliado importante do governo do presidente Rodrigo Paz, o rico empresário Doria Medina afirmou que a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) é responsável pela venda do combustível defeituoso que danificou milhares de veículos e criticou a culpa atribuída à administração anterior.
“Essa história sobre a administração anterior já está ficando velha. As pessoas da YPFB são responsáveis desde que foram nomeadas. Portanto, não podem mais culpar o governo anterior.” “Eles são responsáveis, e todos os funcionários públicos são responsáveis por seus atos”, criticou ele a estatal. Ele alertou que já se passaram três meses desde a mudança de governo e observou que “essa história de culpar o governo anterior por um problema atual está perdendo credibilidade junto ao público”.
Um dia antes dessas declarações, o governo liderado por Paz culpou a administração anterior pelo combustível defeituoso, atribuindo o problema à presença de resíduos nos tanques de armazenamento.
Por sua vez, o ex-presidente do Senado e candidato à presidência em 2025 pela Aliança Popular, Andrónico Rodríguez, enfatizou esta semana que a responsabilidade por garantir a qualidade do combustível recai exclusivamente sobre as autoridades que o importam.
“É absolutamente inaceitável que, depois de anunciar com grande alarde a chegada de caminhões-tanque e assegurar que o abastecimento de gasolina e diesel estava garantido, o próprio governo agora admita distribuir combustível de má qualidade, tentando culpar as administrações anteriores”, lamentou Rodríguez. Ele lamentou que “a propaganda esteja sendo vendida como gestão” e que a culpa seja transferida para outros quando surgem falhas da magnitude do desastre conhecido como “gasolina de lixo”.
Mantendo um perfil discreto na mídia após sua candidatura presidencial fracassada, Rodríguez enfatizou que o governo atual é o único responsável por verificar os padrões de qualidade do combustível importado e distribuído no mercado interno.
O ex-líder de Estado de Evo Morales ressaltou que esse tipo de irregularidade afeta diretamente a economia e a confiança pública.
Rodríguez ecoou os sentimentos de motoristas em La Paz e Oruro, bem como de motociclistas em Santa Cruz, que se mobilizaram para protestar contra os danos causados a seus veículos pelo combustível contaminado.
Sua aparição na mídia foi precedida, 24 horas antes, por declarações de representantes do governo que, diante das evidências de danos generalizados, admitiram que o combustível foi distribuído sem garantia de sua qualidade. Motivado pelo escândalo, o deputado de direita Alejandro Reyes, do bloco Unidade, alinhado a Doria Medina, acusou a Agência Nacional de Hidrocarbonetos de não cumprir seu papel como órgão regulador no controle da mistura de gasolina com etanol.
Ele aproveitou a oportunidade para exigir que o Ministro de Hidrocarbonetos e Energia, Mauricio Medinacelli, iniciasse uma auditoria interna que resultasse na demissão de funcionários ligados aos governos do Movimento para o Socialismo (MAS) (2006-2019 e 2020-2025).
Após um período de ausência da vida pública desde 8 de janeiro, e em meio a rumores sobre sua saúde e até mesmo sobre sua saída clandestina para o exterior, o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, reapareceu esta semana nas redes sociais para abordar o assunto.
“O governo Paz deve indenizar milhares de bolivianos de todas as classes sociais pelos terríveis danos causados a seus veículos pela gasolina adulterada distribuída pela YPFB, como admitido pelo Ministro da Presidência, José Luis Lupo”, declarou em sua conta no Twitter.
O ex-presidente enfatizou que é justo que as “milhares de vítimas” iniciem uma ação civil exigindo indenização pelos danos causados aos responsáveis por esse “ataque”.
Em concordância com seu adversário político e ideológico, Doria Medina, Morales exigiu que o Poder Executivo arcasse com os custos do conserto de todos os veículos afetados e acrescentou que o Estado também deveria acionar um mecanismo para garantir que os funcionários responsáveis pagassem pelos danos com recursos próprios.
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