Domingo, Fevereiro 22, 2026
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Oriente Médio quer evitar agressão dos EUA ao Irã

Cairo, 1 de fev (Prensa Latina) O Oriente Médio vive hoje uma intensa agitação de contatos entre governos para tentar impedir uma provável agressão dos Estados Unidos contra o Irã, em meio à retórica belicista do governo de Donald Trump.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, anunciou ontem na rede social X que a formulação de um quadro para as negociações com Washington está avançando.

Um dia antes, Larijani voou para Moscou, onde foi recebido pelo presidente Vladimir Putin, que apelou ao diálogo e à prevenção de um novo conflito na região.

Ontem à noite, Trump confirmou à Fox News que os dois países estão “conversando”, mas logo em seguida acrescentou: “veremos se podemos fazer algo, caso contrário, veremos o que acontece”.

Como parte das tentativas de diminuir a tensão, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, conversou por telefone com seu homólogo egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, a quem transmitiu que Teerã busca uma solução diplomática.

Não queremos nem buscamos a guerra, afirmou o governante, que, no entanto, garantiu que seu país se defenderá se for atacado.

Pezeshkian também conversou com seus homólogos da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Azerbaijão, Ilham Alíyev.

Por sua vez, o jornal árabe Asharq al-Awsat destacou que Cairo acelerou as consultas regionais para conter a crescente tensão.

Como parte da estratégia, o ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty, conversou separadamente nas últimas horas sobre o assunto com seus homólogos do Irã, Abbas Araqchi; da Turquia, Hakan Fidan; de Omã, Badr bin Haman al Busaidi; e o primeiro-ministro do Catar, Mohammad bin Abdulrahman. Ele também trocou opiniões com o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Wittkopf.

De acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, Abdelatty alertou que “não há soluções militares para os desafios que a região enfrenta” e, portanto, pediu negociações.

O Asharq al-Awsat revelou que Ancara também “busca estabelecer um canal de comunicação entre o Irã e os Estados Unidos para evitar uma nova guerra”.

Precisamente, na sexta-feira, Araghchi visitou a capital turca, onde conversou com Erdogan e com seu homólogo turco.

O chefe da diplomacia iraniana saudou a mediação desse país e desejou-lhe sucesso na sua estratégia. Apesar das tentativas diplomáticas para conter a potência norte-americana, os meios de comunicação e analistas árabes mostram-se pessimistas quanto aos seus resultados, face aos crescentes sinais de guerra que chegam de Washington.

Nas últimas semanas, o Pentágono reforçou seu dispositivo militar na região após a chegada do porta-aviões Abraham Lincoln, escoltado por um grupo de ataque naval, ao qual se somou uma grande quantidade de aviões e sistemas antimísseis, posicionados em várias bases militares.

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