Sexta-feira, Janeiro 16, 2026
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Copresidente da Nicarágua saúda Cuba e denuncia ameaças dos EUA

Manágua, 16 jan (Prensa Latina) O copresidente da Nicarágua, Daniel Ortega, enviou saudações fraternas a Cuba, ao general do Exército Raúl Castro e ao presidente Miguel Díaz-Canel, ao mesmo tempo em que denunciou as ameaças feitas pelo governo dos Estados Unidos contra a ilha.

Discursando na noite passada na 48ª Cerimônia de Formatura de Cadetes da Universidade de Ciências Policiais “Leonel Rugama” da Polícia Nacional, Ortega destacou o apoio histórico da comunidade internacional nas Nações Unidas contra o bloqueio que Washington mantém contra Havana há mais de seis décadas.

“Em todas as votações, quase todos os países votaram pelo fim do bloqueio. Quem votou contra? O delegado dos Estados Unidos, o delegado de Israel, dois ou três países, no máximo”, comentou.

Por outro lado, ele transmitiu o afeto da Nicarágua à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e exigiu o retorno do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que foram sequestrados por militares dos EUA e levados para os Estados Unidos em 3 de janeiro.

“Unimo-nos ao apelo pelo retorno do presidente Nicolás Maduro ao seu povo. Ele foi levado em uma ação completamente desproporcional, sem qualquer mandado de prisão, e esperamos que o povo bolivariano seja respeitado”, declarou o líder sandinista. Ele mencionou a maneira como as forças americanas sequestraram Maduro e perguntou: “Quem lhes deu esse poder? Que organização existe no mundo que tolera um ato de terrorismo como esse?”

Ele acrescentou que o presidente Maduro queria a paz, “mas o que ficou claro é que os Estados Unidos estão atrás do petróleo. O presidente afirmou isso muito claramente; ele especificou a quantidade de milhares de barris de petróleo que eles vão tomar do povo venezuelano.”

Ortega expressou suas saudações a todos os povos do mundo e dos próprios Estados Unidos que se mobilizaram nos últimos dias contra essas agressões e em favor da paz.

“Porque nos Estados Unidos existe um povo que não tolera esses crimes, que não tolera essas atrocidades e que está protestando nas ruas”, enfatizou.

Em outro momento de seu discurso no evento, que também contou com a presença da copresidente Rosario Murillo, o líder sandinista destacou que existe um instinto dos fortes de dominar os fracos.

“É uma cultura que se reproduz entre os povos pobres e fracos, e eu diria que vem da Primeira Guerra Mundial; depois veio a Segunda Guerra Mundial, quando o imperialismo ianque lançou a bomba atômica”, lembrou.

A esse respeito, afirmou que na América Latina não houve nenhum programa para o desenvolvimento de armas atômicas, pois esse é um princípio latino-americano e caribenho.

“E a partir desse princípio, as Nações Unidas terão que ser refundadas, levando em conta as circunstâncias vividas no mundo e em diferentes regiões do planeta”, enfatizou.

Ele lembrou o poema “Canção da Esperança”, de Rubén Darío, no qual o autor fala dos horrores vividos no mundo naquela época, e termina invocando Deus.

“As bestas que possuem armas atômicas e que não respeitam ninguém terão que refrear seu comportamento, terão que mudar seu comportamento porque são terroristas.”

“Eles estão semeando terror no mundo com esse comportamento, e o que o mundo mais quer é tranquilidade e paz”, ressaltou.

Segundo Ortega, aqueles que detêm o poder das armas não têm consciência humanista ou cristã, pois se consideram deuses e donos das nações e da Terra.

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