O Ministério das Relações Exteriores e dos Expatriados declarou em um comunicado à imprensa que a medida representa uma escalada perigosa e uma violação do status quo jurídico e histórico existente.
As autoridades israelenses transferiram a administração do local para o conselho religioso de um assentamento vizinho, após retirarem da Prefeitura de Hebron os poderes de planejamento e construção.
O comunicado também rejeitou um projeto para cobrir o pátio do complexo, considerando-o uma ação unilateral e uma violação do direito internacional e da autoridade de Israel como potência ocupante.
O Ministério das Relações Exteriores declarou que a usurpação e a tomada forçada do poder demonstram que o objetivo dessas medidas não é a organização ou o desenvolvimento, mas sim impor controle e perpetuar a ocupação.
Portanto, considerou a decisão “juridicamente inválida e sem legitimidade internacional”.
Além disso, salientou que ela constitui uma ameaça direta à identidade palestina e à proteção legal de sítios religiosos e históricos.
Com mais de 200 mil habitantes, a maior cidade da Cisjordânia é um dos principais focos de tensão na região, por ser a única que abriga uma comunidade judaica dentro de seus limites, estabelecida sob a proteção do exército, que controla 20% da cidade.
No centro da disputa está o local conhecido pelos muçulmanos como Mesquita de Ibrahimi e pelos judeus como Túmulo dos Patriarcas.
Segundo a tradição, três patriarcas bíblicos estão sepultados ali: Abraão, Isaac e Jacó, e suas respectivas esposas Sara, Rebeca e Lia.
Há trinta e dois anos, Baruch Goldstein, um judeu radical, assassinou 29 palestinos naquele local após abrir fogo com um rifle contra um grupo de muçulmanos que oravam.
Mais de 750 mil judeus vivem atualmente na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, distribuídos por cerca de 200 assentamentos e inúmeros postos avançados, de acordo com dados oficiais.
A comunidade internacional rejeita essa política expansionista e considera esse território parte do futuro Estado palestino.
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