Limita o acesso a tecnologias e plataformas essenciais para o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) e compromete a sustentabilidade energética da infraestrutura digital do país, afirmou Arevich no contexto da Cúpula Impacto IA, a primeira realizada em um país do Sul Global.
Ele se referiu à recente ordem executiva do presidente Donald Trump que declara Cuba como uma ameaça incomum e extraordinária para os Estados Unidos, e à consequente imposição de tarifas aos países que fornecem petróleo à maior das Antilhas.
“É um novo e grave ataque à nossa soberania. É uma guerra econômica, um ato genocida que tenta punir toda a população cubana, gerar um desgaste interno e que coloca em risco a vida de milhões de cubanos”, destacou.
Nesse sentido, a ministra cubana condenou veementemente a aplicação de medidas coercitivas unilaterais, que violam o direito internacional e, acrescentou, afetam o desenvolvimento, a paz e o progresso mundial, impedindo que o poder transformador da IA sirva verdadeiramente a toda a humanidade.
A ministra cubana das Comunicações acrescentou que o potencial da inteligência artificial só se materializará se superarmos as desigualdades estruturais da atual ordem econômica internacional injusta e antidemocrática.
Ela convocou a priorizar estratégias e normas para um uso ético e responsável da IA, adaptadas aos nossos contextos e valores, diante das disparidades tecnológicas e das lacunas digitais que afetam mais fortemente o Sul Global.
Arevich afirmou que Cuba defende normas internacionais abertas, compatíveis e não discriminatórias e considerou a cooperação Sul-Sul fundamental para construir capacidades compartilhadas e romper assimetrias tecnológicas.
Ela reiterou a rejeição categórica de seu país ao uso da IA para fins criminosos, terroristas ou de interferência nos assuntos internos de nossos Estados, incluindo a manipulação da história e da soberania.
A ministra cubana deu exemplos das políticas da ilha em relação a essa tecnologia, como a aprovação em 2024 da estratégia para seu desenvolvimento e uso, e explicou que universidades e empresas cubanas já desenvolvem aplicações em saúde, agricultura, educação, gestão de desastres, entre outros setores, com uma abordagem humanista.
Ela também destacou que os planos de estudo em todos os níveis educacionais estão sendo atualizados para formar profissionais capacitados em IA com sólida consciência e responsabilidade ética.
“Este avanço é alcançado apesar do injusto bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos há mais de seis décadas”, enfatizou.
Arevich acrescentou que o desafio coletivo é garantir que o desenvolvimento e o uso da Inteligência Artificial se traduzam em bem-estar para todos, sem exclusões, e que as oportunidades tecnológicas sejam amplamente compartilhadas entre todas as regiões.
Por fim, ele reafirmou o compromisso de Cuba em colaborar nesse esforço, convencido de que somente com solidariedade — acima do egoísmo dos interesses geopolíticos e corporativos — é possível construir um futuro digital justo e humano.
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