A decisão foi comunicada ontem à noite na rede social Telegram pelo Ministério das Relações Internas, Segurança e Justiça (Mrijp), e é a segunda vez em apenas 15 dias que as autoridades americanas tomam essa decisão em meio às tensões exacerbadas entre os dois países.
O Mrijp afirmou que a medida contradiz “o discurso oficial daquele país sobre a situação dos migrantes em seu território e gera incerteza entre as famílias venezuelanas que esperavam o reencontro”.
Ele destacou que a suspensão interrompe um processo que vinha sendo executado de forma coordenada e representava uma forma de aliviar a situação dos compatriotas detidos e perseguidos em solo americano.
“A expectativa de um retorno seguro e digno agora é frustrada por uma decisão que, além de inesperada, é contraditória em relação aos compromissos assumidos anteriormente”, afirmou.
Ele avaliou que se confia que o governo dos Estados Unidos “retifique mais cedo ou mais tarde” e reinicie o processo de retorno dos venezuelanos afetados.
O governo bolivariano reiterou sua disposição de receber seus cidadãos de braços abertos, “garantindo acompanhamento e apoio em sua reintegração e mantendo firme seu compromisso de zelar pela proteção dos venezuelanos em qualquer parte do mundo”.
A Grande Missão Retorno à Pátria lamentou profundamente, no último dia 29 de novembro, a decisão anunciada pelo presidente dos Estados Unidos de suspender unilateralmente os voos regulares destinados ao retorno dos migrantes venezuelanos daquele país.
Em um comunicado, a missão destacou que esses voos permitiram “resgatar, proteger e oferecer um retorno digno a centenas de venezuelanos” que, após enfrentarem situações de vulnerabilidade decorrentes de discriminação, perseguição e encarceramento em cidades americanas, encontraram neste programa humanitário a oportunidade de retornar ao seu país.
“A medida americana viola o espírito de cooperação, contradiz os princípios do direito internacional e rompe abruptamente os acordos alcançados em 31 de janeiro com o enviado oficial daquele país”, Richard Grenell, afirmou.
Em 3 de dezembro, a companhia aérea americana Eastern Airlines chegou à Venezuela com 266 migrantes deportados dos Estados Unidos, depois que Washington solicitou o reinício da repatriação de migrantes venezuelanos.
Autoridades como o chanceler Yván Gil receberam a aeronave e declararam que o pedido do governo americano para sobrevoar o espaço aéreo e pousar em solo venezuelano é uma demonstração de que “a Venezuela está mais firme do que nunca, e estamos em paz, tranquilidade e em plena dinâmica produtiva, social e política”.
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