Sexta-feira, Agosto 28, 2026
NOTÍCIA

Mudanças Demográficas Rápidas e Profundas na América Latina e Caribe

Montevidéu (Prensa Latina) A América Latina e o Caribe estão passando por uma transição demográfica rápida e profunda, em ritmo mais acelerado do que outras regiões do mundo, conforme revelado hoje.

A informação consta no relatório “Impactos da Mudança Demográfica na América Latina e no Caribe: Desafios e Opções para Políticas Públicas”, apresentado na Sexta Reunião da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento, que está sendo realizada nesta capital.

Essas mudanças demográficas implicam alterações na fertilidade, mortalidade e estrutura etária, afirma o estudo conduzido pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe e pelo Fundo de População das Nações Unidas.

Trata-se de um processo que redefine as condições essenciais para o desenvolvimento, o planejamento e a educação, bem como para a sustentabilidade dos sistemas de proteção social, saúde e assistência.

O texto indica que a região possui a terceira menor taxa de fertilidade do mundo.

O estudo também estima que a queda na taxa de natalidade reduzirá a população em idade escolar em aproximadamente 38,3 milhões de pessoas até 2050, exigindo novas abordagens para o planejamento educacional.

Ao mesmo tempo, aponta para a alta taxa de fertilidade na adolescência como reflexo das lacunas e desigualdades educacionais que afetam os segmentos mais pobres da população.

O estudo observa uma acentuada redução na mortalidade infantil e um aumento significativo na expectativa de vida, que atingiu quase 76 anos para ambos os sexos em 2024.

Apesar do aumento da longevidade, a mortalidade na região é caracterizada pela coexistência de doenças infecciosas não controladas, um aumento nas doenças crônicas e uma alta incidência de causas externas (violência e acidentes), o que resulta em uma acentuada taxa de mortalidade excessiva entre os homens.

O envelhecimento populacional é a transformação mais radical da estrutura demográfica da região. Projeta-se que, até 2050, as pessoas com 60 anos ou mais representarão 25% da população total (aproximadamente 182 milhões de pessoas), observa o relatório.

Este processo inclui o que se conhece como o “envelhecimento dos idosos”, caracterizado por um crescimento ainda mais rápido na faixa etária de 80 anos ou mais, com forte predominância feminina e níveis mais elevados de dependência.

Isso aumenta a demanda por pensões, assistência médica, cuidados e serviços de apoio especializados.

A falta de cobertura e a insuficiência das pensões obrigam muitos idosos a permanecerem ativos no mercado de trabalho para sobreviver, frequentemente no setor informal, acrescenta o relatório.

Projeta-se que, com base na média regional, até 2028 a população em idade ativa deixará de crescer mais rapidamente do que a população dependente.

O relatório também observa uma diversificação dos tipos de domicílios: os domicílios unipessoais quase dobraram e os domicílios monoparentais (principalmente chefiados por mulheres) aumentaram consideravelmente.

Por outro lado, a população urbana agora representa 82% do total, e a migração internacional está crescendo e se tornando mais complexa. Embora a região mantenha um saldo migratório líquido negativo para outras regiões, a migração intrarregional cresceu exponencialmente.

Em conclusão, o relatório afirma que a América Latina e o Caribe enfrentam uma situação demográfica sem precedentes, marcada pela queda das taxas de natalidade e pelo envelhecimento da população.

Essa situação é agravada pela transformação das estruturas familiares e por um cenário complexo de migração internacional, tudo isso em um contexto de desigualdades persistentes e enfraquecimento da coesão social, associados a lacunas relacionadas à qualidade institucional e à governança ineficaz.

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