Sábado, Agosto 29, 2026
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Cuba é um país de paz, afirmou o embaixador em Angola

Luanda, 12 ago (Prensa Latina) O embaixador de Cuba em Angola, Oscar León, afirmou que a nação caribenha é um país de paz, mas leva muito a sério as ameaças de agressão militar proferidas hoje pelos Estados Unidos.

Ele acrescentou que a Ilha não representa nenhum perigo para aquele país, como tentam fazer crer seus governantes, e que não há motivos que justifiquem um ataque da maior potência militar do planeta; no entanto, garantiu que a nação caribenha está se preparando para se defender, caso seja necessário.

Em entrevista ao vivo na Televisão Pública de Angola (TPA) na noite anterior, o diplomata denunciou o recrudescimento do bloqueio norte-americano e a aprovação, por parte de Washington, de novas medidas com grave impacto sobre a população cubana, o que pode ser classificado como genocídio.

Ele mencionou particularmente o bloqueio às importações de petróleo em vigor desde 29 de janeiro, em virtude do qual apenas um navio com combustível russo entrou em Cuba em sete meses, causando prejuízos à geração de energia, ao abastecimento de água, ao funcionamento do transporte, dos hospitais, das escolas e de todos os serviços e setores em geral.

Na conversa, também se discutiu o retrocesso nas relações com os Estados Unidos, a partir do primeiro mandato do atual presidente Donald Trump, que descartou os avanços alcançados desde 2015, como a assinatura de 22 acordos de cooperação em áreas de interesse comum.

León também abordou as mudanças no modelo econômico cubano, sobre as quais afirmou que são tomadas de forma soberana e como parte do processo de renovações impulsionado a partir da Constituição discutida e aprovada pelo povo em 2019.

Ele destacou que a situação atual impôs a urgência de agilizar essas transformações com o objetivo de mobilizar as forças produtivas do país e buscar soluções próprias para tentar sair da crise imposta pelo exterior, mas insistiu que se trata de medidas que foram discutidas com a população e que, de uma forma ou de outra, já estavam em estudo.

A TPA perguntou sobre a atitude de vários países que recentemente decidiram encerrar a cooperação com Cuba e até mesmo as relações bilaterais, sobre o que o diplomata da nação caribenha se referiu às campanhas de pressão dos Estados Unidos sobre os governos para que abandonem os acordos mutuamente benéficos, fundamentalmente na área da saúde.

Ele detalhou também que as pressões de Washington e suas medidas coercitivas unilaterais tiveram impacto também sobre os investidores estrangeiros, levando até mesmo alguns parceiros históricos a se retirarem do país.

Outro aspecto abordado no diálogo foi o respeito aos direitos humanos em Cuba, sobre o qual o embaixador afirmou que as leis cubanas, a começar pela Constituição e pelo Código da Família, protegem amplamente esses direitos e que o país os respeita, além de ser membro do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, participar ativamente dele e cooperar com seus mecanismos.

Ele destacou que, nesse e em outros assuntos, existe uma campanha de difamação contra o país, orquestrada pelos Estados Unidos, que visa justificar a política de asfixia que aplicam contra Havana.

Vários aspectos das relações com Angola também foram abordados na conversa com a TPA, como a comunidade cubana residente no país e suas preocupações.

León afirmou que mais de 11 mil cubanos estão registrados no consulado, mas o número daqueles que vivem nessa nação africana é muito maior e, em sua maioria, são pessoas integradas, bem recebidas, que contribuem em diferentes setores da vida social e para o desenvolvimento do país.

Ele comentou que a Embaixada mantém o diálogo com o governo angolano sobre a situação dos vistos e a regularização dos compatriotas residentes, e que há cooperação constante com as autoridades nacionais para que a migração entre os dois países seja normal e segura.

O diplomata relembrou aspectos das relações históricas entre as duas nações, como a cooperação militar (1975-1991) e em setores como saúde e educação; a formação de estudantes angolanos em Cuba, o funcionamento da comissão bilateral e as perspectivas de ampliação da colaboração.

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