Terça-feira, Maio 19, 2026
NOTÍCIA

Experimentos avançam para deter o câncer de próstata

Londres, 30 de abr (Prensa Latina) Uma equipe de pesquisadores está desenvolvendo uma nova maneira de atingir proteínas que eram consideradas inacessíveis a medicamentos, abrindo caminho para novos tratamentos para o câncer de próstata e outras doenças graves.

De acordo com a revista Nature Signal Transduction and Targeted Therapy, essas proteínas são conhecidas por serem desordenadas e terem a capacidade de mudar de forma devido à sua extrema flexibilidade.

“Elas desempenham um papel fundamental em uma ampla gama de doenças, como câncer, distúrbios neurodegenerativos, doenças cardíacas e doenças autoimunes; no entanto, atualmente existem poucos medicamentos capazes de agir sobre elas”, destaca a publicação.

Neste novo estudo, os pesquisadores se concentraram em projetar medicamentos que se liguem mais fortemente a essas proteínas e bloqueiem sua atividade patogênica.

Ao contrário da maioria das proteínas, que se dobram em estruturas tridimensionais estáveis, as proteínas desordenadas contêm regiões flexíveis que mudam de forma ao interagir com moléculas dentro das células.

Como não possuem sítios de ligação fixos, são extremamente difíceis de atingir com medicamentos tradicionais.

O novo estudo focou em uma proteína específica, o receptor de andrógeno, que impulsiona o crescimento da maioria dos cânceres de próstata.

Agora, em vez de se encaixarem em um único sítio de ligação fixo, os pesquisadores desenvolveram compostos que interagem com a região móvel da proteína, congelando-a em um estado inativo e impedindo que ela ative os genes que impulsionam o crescimento do câncer.

Ao modificar sistematicamente os compostos em nível molecular, vários candidatos promissores foram identificados, os quais inibem o receptor de forma eficaz.

Quando testados em animais, observaram uma desaceleração do crescimento do câncer de próstata mais eficaz do que um tratamento comumente usado para essa doença. Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica e do BC Cancer (Canadá) conseguiram desativar o receptor de andrógeno mesmo em situações em que os medicamentos atuais para câncer de próstata deixam de funcionar.

O próximo passo será identificar candidatos para ensaios clínicos, com o objetivo de desenvolver medicamentos contra esse tipo de tumor que possam ser usados ​​em estágios iniciais do tratamento e com menos efeitos colaterais.

Dado que proteínas desordenadas estão implicadas em inúmeras doenças, essa nova abordagem pode produzir melhores resultados.

rc/joe/glmv

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa