Durante a audiência geral desta quarta-feira, realizada às 10h, horário local, o sumo pontífice expressou diante de milhares de pessoas, reunidas na Praça de São Pedro, seu pesar pelo fato de que essa nação do Oriente Médio “atualmente vive mais uma vez a tragédia da guerra”, como consequência da nova ofensiva de Tel Aviv.
“Estou próximo de todo o povo libanês neste momento de profunda provação”, disse o Santo Padre, que se referiu em particular ao fato de que neste dia se celebra, na localidade libanesa de Qlayaa, o funeral do padre Pierre El Raii, pároco maronita de uma aldeia cristã do sul daquele país, vítima de um ataque israelense.
O Bispo de Roma referiu que o religioso libanês “permaneceu próximo ao seu povo”, pois “assim que soube que alguns paroquianos haviam sido feridos por um bombardeio, correu sem hesitar para ajudá-los”, o que lhe custou a vida.
O líder da Igreja Católica pediu aos fiéis de todo o mundo que “continuem rezando pela paz no Irã e em todo o Oriente Médio, especialmente pelas numerosas vítimas civis, entre elas tantas crianças inocentes”, e que “nossas orações sejam um consolo para aqueles que sofrem e uma semente de esperança para o futuro”.
Nas últimas horas, pelo menos 21 pessoas morreram e outras 26 ficaram feridas como consequência de uma nova jornada de ataques aéreos de Israel, com bombardeios contra as localidades libanesas de Hanawiya, Shahabiya, Qana e Al-Housh, no distrito de Tiro, bem como contra Tibnin, no distrito de Bint Jbeil.
Outros ataques atingiram as localidades de Sharqiya, Kfar Tebnit, Jebchit e Arab Salim, além da cidade de Nabatieh, também no sul do país, bem como a localidade de Zlaya, no distrito de Bekaa, e o bairro de Laylaki, nos subúrbios da capital, Beirute.
Os bombardeios contra o Líbano por parte das forças sionistas começaram pouco depois do início, em 28 de fevereiro passado, da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
De acordo com as autoridades libanesas, a ofensiva israelense contra essa nação árabe já causou cerca de 600 mortos, cerca de 1.500 feridos, além de cerca de 800 mil deslocados.
No primeiro dia de março, apenas 24 horas após o início dos bombardeios de Washington e Tel Aviv contra várias cidades do Irã, o papa Leão XIV considerou, durante a oração dominical do Angelus, que, após esses fatos, enfrentamos uma “tragédia de enormes proporções”, com risco de um “abismo irreparável”.
No domingo passado, o pontífice reiterou sua preocupação com a extensão do atual conflito no Oriente Médio e lamentou que “continuem chegando notícias profundamente desoladoras” daquela região do planeta.
“Além dos episódios de violência e devastação, e do clima generalizado de ódio e medo, existe o receio de que o conflito se alastre e que outros países da região, incluindo o querido Líbano, voltem a mergulhar na instabilidade”, afirmou então em seu alerta sobre uma crise que já é uma realidade.
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