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Ex-edil boliviano critica declarações do presidente Supremo Tribunal

La Paz, 23 de fevereiro (Prensa Latina) O ex-presidente da Bolívia (2005-2006), Eduardo Rodríguez Veltzé, criticou as declarações feitas hoje pelo atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Romer Saucedo, sugerindo que ele evite se pronunciar sobre controvérsias públicas que possam estar sob sua jurisdição.

Também ex-presidente do STF (2004-2005), o especialista observou em sua conta nas redes sociais que “os juízes, especialmente o presidente do STF, devem evitar comentários que reflitam parcialidade sobre controvérsias ou disputas públicas fora de sua jurisdição e que possam vir a ser resolvidas”.

Saucedo é magistrado eleito por Santa Cruz e, em sua posição, priorizou a libertação de figuras-chave envolvidas na destituição do ex-presidente Evo Morales: Jeanine Áñez (ex-presidente de 2019 a 2020) e os líderes cívicos Luis Fernando Camacho, atual governador de Santa Cruz, e Marco Antonio Pumari, ex-líder cívico de Potosí.

Neste domingo, em sua qualidade de presidente do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), Saucedo juntou-se às críticas contra a vice-ministra das Autonomias, Andrea Barrientos, por seus comentários a respeito da alocação orçamentária sob o chamado esquema 50/50 (metade para o governo central e metade para as comunidades autônomas).

“Durante 20 anos, a divisão, a discriminação e o racismo foram semeados em nosso país, e a vice-ministra é justamente quem está aprofundando essas feridas do passado, enquanto o presidente Rodrigo Paz constrói pontes, tenta curar essas feridas e unificar a identidade boliviana”, declarou Saucedo, em clara crítica aos governos do Movimento para o Socialismo (MAS) (2006-2019) e (2020-2025).

Além disso, ele apoiou implicitamente aqueles que exigem a renúncia de Barrientos, que se desculpou pela forma como se expressou sobre o assunto e admitiu um “erro de comunicação”.

“Uma vice-ministra que é subordinada ao presidente não pode ir contra o que ele está traçando para o bem de todos os bolivianos”, enfatizou Saucedo.

A controvérsia surgiu na semana passada a partir de uma declaração pública da vice-ministra.

“O que os candidatos pensam que significa 50/50?” “Vamos pegar o dinheiro deles e dizer: ‘Fiquem com 50% e cuidem do resto.’ (Mas) não funciona assim; tem que ser baseado em responsabilidade compartilhada”, comentou Barrientos publicamente.

Essas palavras geraram reações negativas, principalmente de políticos, do Comitê Cívico e de autoridades subnacionais em Santa Cruz, que exigem sua renúncia.

No entanto, o Ministério da Presidência, ao qual seu gabinete pertence, apoiou a vice-ministra com uma declaração oficial esclarecendo que o Vice-Ministério das Autonomias não exerce controle político sobre as regiões.

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