Em uma coletiva de imprensa ao final de uma visita de Estado de três dias à Índia, o presidente disse que espera se encontrar com Trump na primeira semana de março em Washington, com uma agenda focada em comércio, investimento, migração e cooperação universitária.
“Quero dizer ao Presidente Trump que não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos interferir em nenhum outro país; queremos que todos sejam tratados igualmente”, enfatizou Lula aos repórteres em Nova Déli.
O presidente brasileiro, que já expressou divergências com Washington em questões como tarifas e decisões de política externa, evitou comentar a decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou grande parte das tarifas impostas a produtos globais, posteriormente substituídas, segundo o anúncio de Trump, por tarifas de 15% sob um marco legal diferente.
No entanto, ele considerou que houve um “alívio” para os países que enfrentam taxas de 40 e 50 por cento e expressou sua convicção de que a relação bilateral “voltará ao normal”, embora tenha alertado que as potenciais tarifas sobre produtos brasileiros poderiam gerar inflação e afetar o próprio povo estadunidense.
Ao avaliar sua visita à Índia, Lula destacou a posição atual do Brasil no cenário internacional e defendeu a diversificação comercial.
“Não temos preferências comerciais. Temos interesses comerciais e iremos buscá-los com quem quer que deseje fazê-lo, desde que seja uma política vantajosa para ambas as partes”, afirmou.
O presidente observou que, em pouco mais de três anos, seu governo abriu mais de 520 novos mercados para produtos brasileiros e destacou que o comércio exterior do país atualmente gira em torno de 649 bilhões de dólares, com a meta de atingir um trilhão no futuro.
Em relação à Índia, ele destacou o acordo com o primeiro-ministro Narendra Modi para elevar o comércio bilateral para US$20 bilhões até 2030, e até expressou otimismo em relação à possibilidade de atingir US$30 bilhões, após ultrapassar US$15 bilhões pela primeira vez em 2025.
Lula também defendeu o fortalecimento do grupo BRICS como ferramenta para equilibrar a geopolítica global e reiterou a necessidade de reformar as Nações Unidas, particularmente o seu Conselho de Segurança, para incluir mais países da África, América Latina e Ásia.
“O mundo precisa de mais representatividade e eficácia na ONU”, disse ele, mencionando nações como Índia, Brasil e México como possíveis membros permanentes de um Conselho ampliado.
Após cumprir sua agenda em Nova Déli, o presidente brasileiro partiu para a Coreia do Sul, onde permanecerá até 24 de fevereiro.
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