Terça-feira, Maio 19, 2026
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Equador propõe flexibilizar jornada laboral com até 12 horas

Quito, 20 fev (Prensa Latina) O Ministério do Trabalho do Equador emitiu um acordo que regulamenta turnos e horários especiais e habilita um novo esquema de redistribuição da jornada de trabalho com a possibilidade de estendê-la até 12 horas diárias, segundo informações divulgadas hoje aqui.

A norma, assinada pelo ministro do Trabalho, Harold Burbano, ainda não foi publicada no Registro Oficial nem no portal institucional, embora já tenha sido distribuída aos inspetores do trabalho, segundo a mídia local.

O acordo se aplica a todos os empregadores e trabalhadores sujeitos ao Código do Trabalho. O texto define como turnos especiais aqueles que, pela natureza da atividade, não podem ser interrompidos por razões técnicas ou por eventuais prejuízos ao interesse público ou às necessidades do empregador.

Uma das principais mudanças é a possibilidade de redistribuir as 40 horas semanais em jornadas de até 10 horas diárias em cinco dias.

Além disso, empregadores e trabalhadores poderão concordar em ampliar a jornada até um máximo de 12 horas por dia, desde que essas horas adicionais sejam compensadas com mais dias de descanso e seja mantida a relação de cinco dias de trabalho por dois de descanso.

O Ministério indica que a redistribuição visa melhorar a eficiência no uso do tempo, facilitar a conciliação familiar e promover o emprego de jovens e mulheres.

No entanto, a medida gerou questionamentos no âmbito jurídico trabalhista.

A advogada Angie Toapanta alertou que, em uma relação de subordinação, o consentimento pode não ser totalmente livre e alertou que a ampliação para 12 horas diárias altera, na prática, o limite tradicional de oito horas.

Por sua vez, a Associação de Advogados Trabalhistas do Equador rejeitou o acordo, considerando que ele amplia a jornada de trabalho e habilita mecanismos de compensação que poderiam substituir o pagamento efetivo de horas extras.

“61% dos equatorianos dissemos NÃO à Constituinte e a uma nova Constituição. Antes dissemos NÃO ao contrato por horas, mas agora Daniel Noboa quer ignorar a decisão popular e precarizar os trabalhadores, aumentando a jornada de trabalho para 12 horas diárias e dispensando o pagamento de horas extras e suplementares”, comentou o advogado e analista político Mauro Andino.

ro/avr/bm

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