Terça-feira, Maio 19, 2026
NOTÍCIA

TERRORISMO IMPERIALISTA

Brasília, 2 de fev (Prensa Latina) O sequestro terrorista do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de 2 para 3 de janeiro desse ano, por parte do governo de Donald Trump, é uma gravíssima afronta à soberania e independência dos países da América Latina e do Caribe.

Diaz-Canel, presidente de Cuba; Gustavo Petro, da Colômbia; e Gabriel Boric, do Chile, foram os primeiros a reagir indignados. É a primeira vez que os EUA atacam diretamente um país da América do Sul.

Lula reagiu um pouco mais tarde, enfatizando que “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”

Lula afirmou ainda que a ação militar da madrugada deste início de janeiro é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de “violência, caos e instabilidade”. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.

A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, acrescentou.

Lula salientou que “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe, e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”

Sempre foram no mínimo tensas as relações dos EUA com líderes latino-americanos e caribenhos que não concordam com sua política imperialista fundada na Doutrina Monroe.

Ao longo do século XX, durante o contexto da Guerra Fria e da política de contenção ao comunismo, os EUA envolveram-se direta ou indiretamente em ações que levaram à deposição, morte ou desaparecimento de líderes latino-americanos.

A maior parte dessas intervenções ocorreu por meio de apoio a golpes de Estado, operações clandestinas ou alianças com grupos locais.

Entre os casos mais notórios se incluem o do Jacobo Árbenz, presidente democrata da Guatemala. Deposto em 1954 por um golpe apoiado pela Casa Branca, morreu no exílio em circunstâncias consideradas acidentais -afogamento -, em 1971. Há teorias não comprovadas sobre assassinato.

Na ocasião do golpe, Che Guevara se encontrava no país e conseguiu se refugiar no México.

No mesmo ano de 1954, os EUA promoveram o golpe que implantou uma ditadura militar no Paraguai. Dez anos depois, replicou a erradicação da democracia no Brasil (1964), Argentina (1966 e 1976), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai e Chile (1973).

O presidente do Chile, Salvador Allende, eleito democraticamente, morreu durante o golpe militar de 1973, apoiado pelos EUA. A versão oficial é de suicídio, mas as circunstâncias ainda são nebulosas e polêmicas.

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