Naquele campo iluminado, um menino se entretinha com seu quebra-cabeças em forma de mapa-múndi. As peças se espalhavam no chão do amplo quarto. No centro, a América do Norte perfeitamente encaixada.
Sentado com as pernas cruzadas, cabelos loiros revoltos refletindo a luz, estava Donny, de oito anos, olhos fixos nas peças coloridas.
Mary Anne, sua mãe, observava da porta, com um copo de suco na mão. Ela notava a tensão nos ombros do filho balofo, aquela rigidez que surgia sempre que o mundo, em sua imensa injustiça, ousava não se curvar à sua vontade.
— Donny, suco? — ofereceu ao entrar no território.
— Depois — respondeu ele, sem desviar os olhos das peças. — Estou terminando o mapa do hemisfério ocidental.
Mary Anne sentou-se na cama, a uma distância segura do jogo estirado sobre o tapete macio.
— E os outros países?
— São meus também.
— Entendi — disse a mãe, tomando um gole do seu suco. — Juanito está aí embaixo, sabe. Veio para brincar com você.
A menção do nome fez com que Donny franzisse o nariz, como se sentisse o cheiro de algo azedo. Juanito, o vizinho moreno de sete anos, era um invasor em potencial. Sua presença significava compartilhar com o filho de imigrantes mexicanos.
E compartilhar era um conceito que Donny considerava insuportável, uma falha grave na organização do universo.
abo/glmv





