Terça-feira, Maio 19, 2026
NOTÍCIA

O Rei do Mapa-Múndi

Brasília, 2 de fev (Prensa Latina) O sol da tarde entrava a fatias pela janela, desenhando retângulos de luz quente no tapete azul-marinho do quarto.

Naquele campo iluminado, um menino se entretinha com seu quebra-cabeças em forma de mapa-múndi. As peças se espalhavam no chão do amplo quarto. No centro, a América do Norte perfeitamente encaixada.

Sentado com as pernas cruzadas, cabelos loiros revoltos refletindo a luz, estava Donny, de oito anos, olhos fixos nas peças coloridas.

Mary Anne, sua mãe, observava da porta, com um copo de suco na mão. Ela notava a tensão nos ombros do filho balofo, aquela rigidez que surgia sempre que o mundo, em sua imensa injustiça, ousava não se curvar à sua vontade.

— Donny, suco? — ofereceu ao entrar no território.

— Depois — respondeu ele, sem desviar os olhos das peças. — Estou terminando o mapa do hemisfério ocidental.

Mary Anne sentou-se na cama, a uma distância segura do jogo estirado sobre o tapete macio.

— E os outros países?

— São meus também.

— Entendi — disse a mãe, tomando um gole do seu suco. — Juanito está aí embaixo, sabe. Veio para brincar com você.

A menção do nome fez com que Donny franzisse o nariz, como se sentisse o cheiro de algo azedo. Juanito, o vizinho moreno de sete anos, era um invasor em potencial. Sua presença significava compartilhar com o filho de imigrantes mexicanos.

E compartilhar era um conceito que Donny considerava insuportável, uma falha grave na organização do universo.

abo/glmv

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