A chegada do projeto à câmara alta será uma mera formalidade, com todas as atenções voltadas para o que acontecerá na sexta-feira, quando Lecornu deverá acionar pela terceira e última vez o controverso Artigo 49.3 da Constituição, que permite a aprovação de legislação, neste caso a Lei de Financiamento do Estado, sem votação dos deputados.
Amanhã, após a aprovação acelerada do texto, novas moções de censura deverão ser apresentadas pela França Insubmissa (LFI) e pela Reunião Nacional (RN), partidos que já tentaram derrubar o governo seis vezes neste mês, três vezes cada.
Em relação à chegada do orçamento ao Senado nesta quinta-feira, seu presidente, Gérard Larcher, descreveu-o como falho, mas ao mesmo tempo considerou desnecessário reabrir o debate sobre o texto na câmara alta.
Larcher observou que a França não possui maioria absoluta na Assembleia Nacional para garantir a aprovação da Lei de Financiamento do Estado, um projeto de lei que se mostrou impossível de ser aprovado em dezembro devido à polarização política e à crise vigentes.
O senador culpou o presidente Emmanuel Macron pela dissolução da Assembleia em 2024. Após a aprovação do orçamento de 2026 pelo Senado nesta quinta-feira, seu retorno à Assembleia Nacional amanhã e sua imposição por meio do Artigo 49.3, restará apenas a votação de eventuais moções de censura na próxima semana para sua aprovação final.
O primeiro-ministro justificou o uso do Artigo 49.3, que havia prometido não invocar, citando a responsabilidade do governo de garantir ao país a aprovação da Lei de Financiamento do Estado, diante da obstrução da oposição, particularmente da LFI e da RN, forças que não escondem seu objetivo de destituir Lecornu e forçar eleições antecipadas.
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