Em 1º de dezembro de 2018, o fundador do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), atualmente no poder, assumiu o cargo para dar início à chamada quarta transformação da vida pública do país.
Os três grandes momentos anteriores, enunciou López Obrador, foram as lutas pela independência a partir de 1810; o movimento de reforma em meados do século XIX e a Revolução, iniciada em 1910 com o apelo de Francisco I. Madero para se levantarem em armas contra Porfirio Díaz.
A quarta das mudanças fundamentais na história da nação pôs fim a 36 anos de administrações neoliberais, durante as quais — na opinião de políticos e analistas — foi impulsionada a privatização e privilegiada uma elite em detrimento da enorme maioria dos cidadãos.
Sob o princípio “Pelo bem de todos, primeiro os pobres”, bem como a defesa da soberania, a austeridade republicana e a luta contra a corrupção, López Obrador conduziu o país por um caminho que reduziu a desigualdade e tirou 13,4 milhões de pessoas da pobreza em um mandato de seis anos.
Especialistas atribuem esse progresso, evidenciado em análises de organismos como o Instituto Nacional de Estatística e Geografia, ao aumento sustentado do salário mínimo e a programas sociais como pensões para idosos e bolsas de estudo.
O ex-governante também destinou recursos diretos à população para a melhoria de escolas e clínicas, impulsionou a construção de universidades, o estabelecimento de um novo e sistema de saúde pública, a construção do aeroporto Felipe Ángeles e do Trem Maya, entre outras obras.
“Imaginem encerrar um ciclo assim, alcançando esse ideal que se tornou realidade. Por isso decidi me aposentar. Não me sinto insubstituível, porque esse é o outro problema: agir como cacique, caudilho, chefe supremo, ‘poder por trás do trono’. Não! É preciso fazer valer a democracia”, afirmou ontem López Obrador.
Ao apresentar seu livro Grandeza, que reivindica os povos originários, por meio de um vídeo compartilhado nas redes sociais, o ex-presidente deu detalhes sobre o novo volume, abordou os resultados de sua gestão, elogiou o trabalho de Sheinbaum e pediu para continuar apoiando-a.
“Ela é quem está no comando e está fazendo um ótimo trabalho. Não devemos nos dividir, devemos permanecer unidos”, afirmou, enfatizando que a nação teve a enorme sorte de que quem o substituiu “é a melhor presidente do mundo”, “uma mulher excepcional que dá continuidade à transformação”.
López Obrador ressaltou que só voltaria às ruas se outros atacassem a democracia ou a soberania do país, e para defender Sheinbaum diante de uma tentativa de golpe de Estado ou se ela fosse perseguida, embora considerasse improvável essa possibilidade.
Ele destacou o humanismo mexicano, que distingue o movimento que liderou e se baseia em dois pilares, um dos quais é a grandeza das civilizações que floresceram no México, daí o nome da obra apresentada neste domingo.
“Recebemos com muito carinho este livro, para que todos e todas o leiam e lembrem que fazemos parte de um movimento social”, disse Sheinbaum algumas horas depois, durante a cerimônia de reabertura de um hospital em Cuernavaca, no estado de Morelos.
A chefe do Executivo reafirmou a continuidade da transformação e das políticas empreendidas por seu antecessor, o que possibilitou a ausência de inflação, a solidez da moeda local e um recorde de investimento estrangeiro direto.
Sheinbaum se referiu a campanhas nas redes sociais que pretendem desacreditar seu governo.
Quando essas críticas surgem, “muitas delas promovidas aqui, pelos conservadores, e muitas trazidas de fora, por aqueles que não querem que haja governos no mundo que defendam seu povo, (…) o único que fazem é nos fortalecer”, afirmou.
A poucas horas do dia 1º de dezembro, a primeira mulher presidente do México convidou novamente os cidadãos a acompanhá-la no próximo sábado no Zócalo, na capital, para comemorar precisamente os sete anos do início da quarta transformação.
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