“Somos as ‘noventeras’ que podemos compartilhar as experiências de vida de luta e continuar de pé pelas causas justas, repudiar e combater as injustiças que hoje são cometidas em nosso país e no mundo”, afirmou Calloni, em alusão a Tati Almeida, histórica ativista das Mães da Praça de Maio que participou do evento.
Aos 90 anos, completados em junho passado, Calloni continua ativa escrevendo artigos para vários meios de comunicação, entre eles a agência de notícias Prensa Latina, reportando sobre a atualidade argentina para o jornal mexicano La Jornada, sendo convidada a participar de eventos e dar palestras em instituições educacionais, políticas e sindicais.
Após as apresentações, lideradas pelo secretário-geral da Foetra, Claudio Marín, convidados como o intelectual guatemalteco Miguel Ángel Asturias, o jornalista e subdiretor do jornal Página12, Luis Bruschtein, e Tati Almeida compartilharam histórias sobre as experiências revolucionárias e jornalísticas de Stella Calloni.
Houve uma pausa musical com o grupo liderado pelo cantor e compositor Juan Martín Medina, que teve como convidada especial a intérprete e compositora Paula Ferré, fundadora e líder do movimento latino-americano Trova Mujer, antes que a também poeta se apoderasse do palco diante do interesse de todos em ouvi-la.
“A mente já vai mais rápido que o corpo”, disse Calloni em tom jocoso e esboçou as histórias e experiências que gostaria de levar para os livros.
Ele alertou sobre a ameaça que paira sobre a América Latina, especialmente contra a Venezuela, pelo poder hegemônico dos Estados Unidos, que se empenha em controlar as riquezas da região, e repudiou duramente a guerra econômica de Washington contra Cuba, que classificou como genocídio. “A resistência do povo cubano em meio a tantas adversidades é muito digna”, afirmou.
Ele instou a um jornalismo digno que divulgue a verdade, “por mais difícil e custoso que seja”, e condenou o assassinato de 260 jornalistas em Gaza pelo exército israelense, além de considerar incomum que o mundo tenha permitido dois anos de genocídio naquele local com impunidade.
Ele comparou a Marcha da Dignidade que os aposentados realizam todas as quartas-feiras em demanda por salários dignos que lhes permitam viver decentemente, com as rondas que as Mães da Praça de Maio realizaram durante a ditadura em busca de seus filhos.
Ele alertou sobre os riscos que a Argentina corre com um governante submisso que já entregou a Antártida a Washington e permite o estabelecimento de um regime colonial. “Na Argentina de Milei, as políticas não são elaboradas pela Casa Rosada, elas são ditadas pela Casa Branca”, disse ele.
“São momentos de nos unirmos; são tempos de unidade para deter este governo que está minando a cultura, destruindo a economia nacional, endividando o país por anos; não podemos perder a memória”, convocou Stella Calloni.
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