Quarta-feira, Maio 20, 2026
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Defendem interação da África com as instituições financeiras do BRICS

Rio de Janeiro, Brasil, 7 de julho (Prensa Latina) O presidente de Angola e atual chefe da União Africana, João Lourenço, defendeu hoje a interação do continente com as instituições financeiras do BRICS para ajudar a impulsionar as economias africanas.

Falando na 17ª cúpula do bloco, da qual participa como convidado, ele destacou a importância do investimento em infraestrutura que leve à eletrificação, à industrialização e à implementação da Área de Livre Comércio Continental Africana.

Durante a sessão dedicada ao Fortalecimento da Cooperação do Sul Global para uma Governança Mais Inclusiva e Sustentável, o presidente destacou a relação existente entre a África e o BRICS como reflexo do caminho conjunto para o fortalecimento do Sul Global.

O objetivo, observou, é estabelecer parcerias mutuamente benéficas, com ênfase no desenvolvimento sustentável e na redução das desigualdades, em um contexto de desafios crescentes.

“Cheguei a esta Cúpula dos BRICS convencido de que estamos no lugar certo para debater e trocar ideias sobre o potencial do Sul Global para expandir e aprofundar a cooperação multilateral, com vistas ao desenvolvimento de parcerias sólidas que contribuam para o desenvolvimento social e econômico de nossos respectivos países”, afirmou.

Lourenço considerou o bloco um exemplo onde países de diferentes regiões do planeta, com diferentes perspectivas e orientações políticas, se unem em torno de aspirações comuns, afastando-se da lógica do confronto e da imposição de seus próprios interesses, para atuar dentro de um quadro de prioridades e objetivos convergentes.

Ele mencionou que as nações do Sul Global vêm reivindicando sua inclusão no debate e nas decisões sobre a criação de fatores de desenvolvimento justos e equilibrados, capazes de responder às suas preocupações fundamentais, há décadas, sem serem plenamente ouvidas.

“Acreditamos que agora temos uma oportunidade real, no nível dos BRICS e de suas instituições”, afirmou o presidente, referindo-se ao financiamento para o desenvolvimento e infraestrutura africanos para o avanço de projetos em agricultura, saúde, educação, ciência e tecnologia, energia, transporte, telecomunicações, entre outros.

Ele também abordou a necessidade de mudanças nas instituições de governança global criadas após a Segunda Guerra Mundial para adaptá-las às novas realidades.

Nesse sentido, considerou que os BRICS podem desempenhar um papel relevante e ativo na construção de maior equilíbrio no debate sobre essas questões entre o Sul Global e os países desenvolvidos.

“Tudo isso evidencia a urgência e a importância de trabalhar para fortalecer o multilateralismo, cada vez mais ameaçado hoje e, portanto, um fator de instabilidade que desencadeia as tensões que enfrentamos em todo o planeta”, disse Lourenço, que defendeu a resolução pacífica de conflitos por meio da negociação.

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