Terça-feira, Maio 19, 2026
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Governo da RDC e opositor buscam unidade para resolver conflito

Kinshasa, 6 jun (Prensa Latina) O presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, e o líder opositor Martin Fayulu apostaram hoje pela unidade para encontrar uma solução ao conflito no leste do país e evitar a balcanização.

O presidente conversou na véspera com a figura de proa do partido Engajamento pela Cidadania e Desenvolvimento (Ecide) e da plataforma Lamuka, apenas 72 horas depois que esta última solicitou publicamente uma reunião com o chefe de Estado, após sete anos de rompimento de qualquer colaboração.

Depois de quase duas horas de conversa, Fayulu disse à imprensa que propôs ao presidente a criação de um comando para a pátria e pediu que ele se reunisse com os bispos da Conferência Episcopal Nacional do Congo (Cenco) e os pastores da Igreja de Cristo no Congo (ECC).

“O país está em uma situação muito difícil. Estamos sendo atacados por todos os lados. Precisamos de coesão nacional. Vim para lhes dizer que não temos 36 soluções”, disse ele.

Acrescentou que, com todas as crises que estão sendo enfrentadas: social, política e de segurança, a solução é o diálogo social, por isso pediu a Tshisekedi que discutisse com o Cenco e o ECC o pacto social que eles estão propondo, ao que o presidente prometeu dar uma resposta rápida.

Sobre uma possível participação nas instituições, ele disse que esse não foi um ponto levantado na reunião.

Fayulu, que é considerado o oponente mais feroz de Tshisekedi depois de questionar sua eleição como presidente em 2018, pediu em 2 de junho a união de forças para enfrentar a situação perigosa no país, o que foi elogiado pelo presidente congolês como uma prova de patriotismo.

Ao recebê-lo no palácio presidencial na quinta-feira, o chefe de Estado disse que estava satisfeito com a reunião e prometeu uma conversa aberta, de acordo com a presidência congolesa.

Fayulu estava acompanhado de seus assessores mais próximos: Devos Kitoko; Prince Eenge; Alex Dende, conhecido como Lexxus Legal, e Chantal Moboni.

A RDC está enfrentando a violência de grupos armados no leste do país, mas principalmente a ofensiva da coalizão rebelde Alliance du Congo River – Mouvement 23 March (AFC/M23), que, com a ajuda de Ruanda, ocupou grande parte do território do país, reacendendo os temores de um possível desmembramento.

Em sua mensagem de 2 de março, Fayulu, além de convocar uma reunião com Tshisekedi, pediu ao coordenador do AFC, Corneille Nangaa, e ao ex-presidente Joseph Kabila que deixassem de ser cúmplices dos massacres e da entrega de terras e recursos nacionais a forças estrangeiras.

“O sangue congolês não pode mais ser derramado com a cumplicidade deles. Nenhuma ambição vale o preço do sofrimento de um povo inteiro”, disse.

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