De acordo com o veículo brasileiro, que cita fontes do governo estadounidense e da área de inteligência, Washington comunicou a aliados do político que não apoiaria iniciativas destinadas a invalidar o resultado das eleições presidenciais, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A publicação aponta que a administração de Donald Trump expressou descontentamento com o tom de uma carta divulgada por Flávio, na qual ele se apresentava, inicialmente, como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de sua derrota nas urnas.
Segundo o ICL Notícias, as autoridades estadounidenses recomendaram ao senador que mantivesse um perfil discreto e evitasse ações que associassem Washington à contestação do processo eleitoral brasileiro, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro.
A reportagem acrescenta que a Casa Branca avaliou que envolver-se na disputa brasileira poderia gerar custos políticos adicionais para Trump, que tem sido alvo de críticas de legisladores democratas devido à entrada de Flávio em território estadounidense.
Posteriormente, o senador alterou o texto de sua carta, substituindo a expressão “verdadeiro presidente eleito” por “líder do Brasil”, uma mudança que o ICL Notícias atribui ao desconforto de Washington, embora ressalte que suas fontes não puderam confirmar se a reação norte-americana foi o que motivou diretamente a alteração.
Outros veículos brasileiros também noticiaram o suposto descontentamento de autoridades estadounidenses com a redação inicial do documento.
O portal UOL, citando fontes diplomáticas, informou que representantes da administração Trump pressionaram pela retirada da referência a “presidente eleito”, por considerarem que isso poderia prejudicar as relações bilaterais. Por sua vez, Trump afirmou que não pretendia se envolver na disputa sobre o resultado eleitoral, embora tenha classificado o pleito brasileiro como vergonhoso. O mandatário estadounidense disse que conversaria com Lula, sem reconhecer Flávio como vencedor da votação.
A presença do senador nos Estados Unidos também gerou questionamentos por parte de legisladores democratas, que pediram explicações sobre as condições de sua entrada no país e compararam o tratamento recebido com as restrições migratórias aplicadas a solicitantes de asilo.
Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após a derrota no segundo turno da eleição presidencial, no último domingo, para Lula, que obteve uma vantagem superior a 4,4 milhões de votos.
A saída do senador ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de deixar o Brasil, no âmbito de investigações que o envolvem. Flávio não cumpriu o prazo estabelecido, e a Polícia Federal cancelou seus documentos.
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