Segunda-feira, Outubro 26, 2026
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Homenagem em Cuba a María Elena Llana por candidatura ao Cervantes

Havana, 22 out (Prensa Latina) Vários escritores cubanos prestarão hoje uma homenagem à sua colega María Elena Llana, por ocasião de sua candidatura ao Prêmio Miguel de Cervantes, a mais alta distinção das letras hispânicas.

O Centro Cultural Dulce María Loynaz, que preserva e perpetua a obra da vencedora do Prêmio Nacional de Literatura de 1987 e primeira cubana a receber o Prêmio Cervantes (em 1992), sediará o encontro em sua sede, localizada no casarão no bairro Vedado, em Havana, onde a autora de Jardín viveu grande parte de sua vida.

As escritoras Marilyn Bobes e Yeilén Delgado serão as convidadas para o evento, organizado pelo Instituto Cubano do Livro para a ocasião.

Ao justificar a proposta de candidatura em uma carta datada de 15 de outubro, enviada ao júri do Prêmio de Literatura em Língua Espanhola Miguel de Cervantes 2026, a instituição destacou que María Elena Llana é uma das narradoras mais importantes da ilha. A autora foi agraciada com o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba em 2023, reconhecida por sua originalidade na escrita, destreza estilística, um olhar singular sobre o ambiente social da capital, além de seu domínio da ironia e do humor.

Nela, a literatura fantástica de nossa nação encontra uma de suas maiores referências. Sua relevância manifesta-se em mais de quinze livros de sua autoria, como La reja (Ediciones Revolución, 1965) e Casas del Vedado (Letras Cubanas, 1983) — este último, um marco na literatura cubana por sua ousadia ao explorar a vertente fantástica dos remanescentes da antiga burguesia cubana. Há também sua incursão na literatura infantojuvenil, em títulos como Sueños, sustos y sorpresas (Gente Nueva, 2011), Desde Marte hasta el parque (Gente Nueva, 2014) e outros de produção recente, a exemplo de Cuentos de viejos (Ediciones Aldabón, 2024).

Além disso, seus contos figuram em inúmeras antologias ao redor do mundo, incluindo traduções, e sua obra tem sido objeto de teses em Cuba, Espanha, Estados Unidos e México, destaca o texto.

Na trajetória profissional de Llana, merece destaque sua atuação, entre 1959 e 1992, em jornais, revistas, rádio, televisão e na agência de notícias Prensa Latina. Essa experiência conferiu-lhe um domínio hábil e esmerado do idioma, um dos traços centrais de sua obra, que traz, ainda, um substrato filosófico, antropológico e voltado aos costumes.

Um de seus trabalhos de maior destaque ocorreu na rádio nacional, onde adaptou inúmeras obras-primas da literatura universal para a linguagem radiofônica.

Com a indicação, a escritora torna-se, até o momento, a terceira cubana a concorrer ao prêmio Cervantes, depois de Fina García Marruz (1923-2022) e Dulce María Loynaz (1902-1997).

Ao saber da indicação, Llana declarou à imprensa que se sentia muito feliz e considerou

a nomeação como “a maior honra” a que poderia aspirar.

Na sua avaliação, suas antecessoras nesta candidatura, como foi também Fina García Marruz, são duas vozes eternas das letras nacionais.

O prêmio, entregue por Suas Majestades, os Reis da Espanha, foi conquistado por outros dois cubanos: Alejo Carpentier, em 1992 sendo o segundo a recebê-lo desde a criação da premiação, e Guillermo Cabrera Infante, cinco anos mais tarde.

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