Sexta-feira, Julho 24, 2026
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Os incríveis feitos do Libertador Simón Bolívar

Havana (Prensa Latina) Fala-se muito desse ilustre venezuelano chamado Simón Bolívar, mas poucos sabem que o Libertador da América — cujo aniversário de nascimento é comemorado em 24 de julho — realizou feitos em seus 47 anos de vida militar e política cheia de sacrifícios que parecem impossíveis de serem igualados.

Por Pedro Rioseco*

Colaborador da Prensa Latina

A luta pela independência do Libertador abrangeu o que hoje são seis países e seis milhões de quilômetros quadrados, percorrendo mais território do que Marco Polo, Cristóvão Colombo ou Júlio César, e conquistou a independência das atuais repúblicas da Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela.

Em apenas 47 anos, Bolívar travou 447 batalhas e foi derrotado apenas seis vezes. Ele libertou seis nações, percorreu 123 mil quilômetros a cavalo, percorrendo 10 vezes mais território do que Aníbal, três vezes mais do que Napoleão e o dobro do que Alexandre, o Grande.

A pé, à frente de seu exército libertador, sem roupas, calçados e alimentos adequados, ele atravessou a quase intransponível Cordilheira dos Andes, com temperaturas abaixo de zero e a mais de seis mil metros de altitude.

Destacou-se entre seus contemporâneos por seu talento, inteligência, determinação e abnegação, qualidades que colocou inteiramente a serviço de uma grande e nobre causa: a de libertar e organizar para a vida civil muitas nações que hoje o consideram um Pai.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco nasceu em Caracas em 24 de julho de 1783, descendente de uma família de origem basca estabelecida na Venezuela desde o final do século XVI e pertencente à aristocracia de Caracas, com numerosas propriedades e riquezas.

Muito se escreveu sobre sua intensa vida, tanto como estrategista militar — carreira na qual ingressou ainda muito jovem e liderou as batalhas independentistas mais emblemáticas da América do Sul contra o império colonial espanhol — quanto sobre sua atuação como político, pensador e estadista que ajudou a estabelecer as bases da democracia na América Latina e exerceu o cargo de presidente, entre 1819 e 1830, da república hispano-americana conhecida como Grande Colômbia.

Quanto à vida desse grande herói nacional, foram escritos inúmeros livros, pelos quais se sabe que ele ficou órfão de pai antes dos três anos e perdeu a mãe seis anos depois, em 1792. Quem cuidou dele foi a escrava da família, Hipólita, a quem Bolívar chamou de “a única mãe que conheci”.

Bolívar passou alguns meses como interno na casa de Simón Rodríguez (1771-1854), também nascido em Caracas, que na época dirigia a Escola de Primeiras Letras da cidade; e entre esse brilhante pedagogo e reformador social e a criança estabeleceu-se logo uma corrente de compreensão mútua e simpatia, que duraria por toda a vida de ambos.

Em Roma, num dia de agosto de 1805, no Monte Sacro, Bolívar reencontrou seu mestre e jurou, na presença dele, não dar descanso ao seu braço nem repouso à sua alma até que tivesse conseguido libertar o mundo hispano-americano da tutela espanhola.

Ainda muito jovem, ele viajou para a Europa, estudou, casou-se aos 19 anos e trouxe sua esposa para a Venezuela, onde ficou viúvo antes de completar um ano, quando ela adoeceu com febre amarela.

Ele se juntou às conspirações independentistas e, graças ao seu carisma e liderança, assumiu rapidamente a direção das campanhas que o levariam, em várias ocasiões, ao exílio e, em outras tantas, de volta ao campo de batalha.

Bolívar renunciou perante o último Congresso da Colômbia (em 27 de abril de 1830) e partiu de Bogotá 11 dias depois rumo a Cartagena. Foi lá que, em 1º de julho, soube que Antonio José de Sucre havia sido assassinado.

Isso acabou por minar a saúde já debilitada do Libertador, que, segundo dois médicos que o trataram, sofria de catarro pulmonar crônico, que havia se transformado em tuberculose pulmonar, e lhe diagnosticaram poucos dias de vida.

Ele chegou a Santa Marta em 1º de dezembro para, em seguida, se transferir para a propriedade de San Pedro Alejandrino, sua última morada. Simón Bolívar faleceu sozinho e em situação econômica precária em 17 de dezembro de 1830.

A vontade de Bolívar, expressa em seu testamento, redigido em 10 de dezembro de 1830 em San Pedro Alejandrino, solicitava que seus restos mortais fossem enterrados em Caracas; no entanto, foi preciso esperar 12 anos para que seu desejo de repousar em solo venezuelano fosse cumprido.

Os restos mortais, sepultados solenemente na Catedral de Santa Marta, foram transferidos para a Catedral de Caracas em 1842. Da catedral, foram levados para o Panteão Nacional em 28 de outubro de 1876, um templo onde, desde então, recebe as honras de seu povo e dos filhos da Nossa América.

arb/prl/bm

*Jornalista cubano.

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