De acordo com o Poder360, a medida foi confirmada pelo Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e é resultado de uma investigação iniciada nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que questiona diversas políticas públicas brasileiras.
O presidente Donald Trump aprovou a aplicação da nova tarifa, cuja lista definitiva de produtos será divulgada posteriormente.
Segundo o portal Brasil 247, a investigação do USTR concentra-se em seis áreas: o sistema de pagamentos instantâneos Pix e o comércio digital, as tarifas preferenciais, o acesso ao mercado de etanol, a proteção da propriedade intelectual, o combate à corrupção e as ações contra o desmatamento ilegal.
O órgão norte-americano argumenta, entre outros temas, que as políticas brasileiras gerariam condições desfavoráveis para empresas norte-americanas e, em particular, considera que o Pix, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, favorece os serviços nacionais de pagamentos eletrônicos em detrimento dos concorrentes estrangeiros.
O Poder360 informou que a nova tarifa exclui, por enquanto, as exportações brasileiras de café e carnes, embora autoridades americanas tenham alertado que a medida poderá ser revista caso o Brasil adote medidas de retaliação.
Antes da confirmação da decisão, o ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva estava avaliando reativar o processo previsto na Lei de Reciprocidade caso um novo pacote tarifário fosse concretizado, informou a CNN Brasil.
Durigan explicou que qualquer decisão dependerá de consultas com o presidente do gigante sul-americano e da análise dos setores produtivos afetados, além de eventuais medidas para mitigar os impactos.
Por sua vez, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais alertou que a tarifa pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras, favorecer a substituição de fornecedores por concorrentes internacionais e gerar pressões para renegociar contratos e preços.
A investigação comercial dos Estados Unidos teve início em julho de 2025 e se desenrolou em um contexto de crescentes divergências entre os dois países sobre comércio digital, meios de pagamento, acesso a mercados e outras políticas econômicas, o que marcou uma nova fase de atritos nas relações bilaterais.
Além de seus efeitos comerciais e econômicos, a nova tarifa também pode influenciar a campanha para as eleições gerais de outubro no Brasil, quando a defesa da soberania nacional e a relação com os Estados Unidos se tornaram eixos centrais do debate político.
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