Quarta-feira, Julho 22, 2026
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Novas incógnitas sobre o caso das “malas de drogas” na Bolívia

La Paz, 21 jul (Prensa Latina) Um nome-chave no escândalo das mais de 30 chamadas “narcomaletas”, introduzidas ilegalmente na Bolívia vindas dos Estados Unidos, permanece até hoje fora dessa investigação criminal, segundo o deputado da Aliança Popular, Rolando Pacheco.

Por Jorge Petinaud Martínez

Correspondente-chefe na Bolívia

O caso das 31 malas, que teve início em novembro de 2025 no aeroporto de Viru Viru, no departamento de Santa Cruz, e só ganhou destaque público na quarta semana de janeiro deste ano, mantém pelo menos sete pessoas no inquérito, entre elas a ex-deputada Laura Rojas.

No entanto, um relatório apresentado como denúncia por Pacheco, ao qual a publicação digital Urgente.Bo teve acesso, revela que existe um nome-chave nessa investigação que as autoridades mantêm à margem de suas investigações.

De acordo com o relatório de Pacheco, enviado em 14 de julho deste ano ao deputado Egidio Arce, presidente da Comissão Especial de Investigação Integral da Câmara dos Deputados, trata-se de Bruno Sánchez, que registrou e entregou a bagagem na qualidade de representante legal do voo.

A publicação indica que, entre 28 e 29 de novembro de 2025, foi realizado o voo fretado Gulfstream G-550, que partiu de Burbank, na Califórnia, com destino final em Viru Viru.

O documento especifica que foram descarregadas da aeronave 31 malas, com peso aproximado de 620 quilogramas, declaradas como bagagem diplomática com base em um passaporte que a ex-deputada possuía ilegalmente; a carga foi depositada sob custódia alfandegária.

Nesse contexto, Bruno Sánchez consta nos documentos alfandegários como representante do voo fretado, alerta a denúncia.

“Ele não consta como tripulante nem como passageiro na Declaração Geral; registra e entrega a bagagem ao pessoal de plantão da Alfândega Nacional, por meio do formulário de registro de bagagem atrasada número 189”, descreve o relatório.

O documento apresentado por Pacheco à comissão sugere adotar uma linha de investigação sobre o caso de Bruno Sánchez.

“Os documentos alfandegários o identificam como o representante do voo que registrou e entregou fisicamente as 31 malas por meio do formulário número 189 — observa o documento —; no entanto, ele não consta como tripulante nem como passageiro na declaração geral da aeronave, não há registro de sua credenciação como representante de nenhuma das duas empresas operadoras e ele não foi intimado nem investigado pelo Ministério Público (…)”.

O deputado também exige que se apure quem tramitou e autorizou a permissão; por que a discrepância entre a operadora autorizada e a operadora real não impediu a operação do voo; quem são os beneficiários finais de ambas as empresas; e se a anomalia decorre de uma falta de controle ou de um mecanismo deliberado para ocultar a titularidade real da operação aérea.

Até o momento, o número de pessoas investigadas chega a sete, entre elas a ex-deputada Rojas, que permanece em prisão preventiva na prisão de Palmasola; assim como o juiz anticorrupção de Santa Cruz, Hébert Zeballos, proprietário do galpão onde as malas foram encontradas e no qual, após uma busca policial, foi descoberto um carregamento de drogas.

No dia 15 deste mês, o procurador-geral da Bolívia, Róger Mariaca, confirmou que os investigados no chamado caso das “malas de drogas” permanecem em prisão preventiva, enquanto as investigações avançam e se busca cooperação internacional para esclarecer esse crime.

Ele informou que a investigação sobre a entrada irregular das 31 malas provenientes dos Estados Unidos continua em fase preparatória, com prazo de conclusão previsto para novembro.

Segundo a máxima autoridade do Ministério Público, em um relatório apresentado à ALP, “o principal é que continuamos dentro do prazo legal para realizar todas as diligências necessárias e esclarecer esse fato”.

Ele lembrou que os fatos investigados ocorreram em 29 de novembro de 2025.

No entanto, ele ressaltou que o Ministério Público tomou conhecimento do caso quase dois meses depois, após uma operação de busca e apreensão no galpão onde foi encontrada a substância controlada.

Considerou que “se tivéssemos tomado conhecimento do caso quando os fatos ocorreram, provavelmente a investigação teria seguido outro rumo; infelizmente, só tomamos conhecimento do caso em 20 de janeiro e, a partir desse momento, iniciamos todas as medidas investigativas”, enfatizou.

Em relação ao destino final e ao conteúdo das 31 malas sobre as quais o governo e a mídia oficial e não oficial mantiveram silêncio nos últimos meses, a autoridade reconheceu que a investigação ainda não conseguiu apurar o que aconteceu com elas nem seu paradeiro.

Por outro lado, no último dia 19 de abril, o vice-presidente da Bolívia, Édman Lara, apresentou um relatório policial no qual se afirmava que, no voo em questão, estava a ex-deputada Rojas acompanhada de um cidadão italiano e de suas filhas menores de idade, cujo pai seria, até o dia 15 daquele mês, o gerente geral da Boliviana de Aviación (BoA), Juan José Galbarro, que foi surpreendentemente demitido 24 horas depois.

Segundo Lara, que também é chefe da ALP, “quatro pessoas estariam chegando dos Estados Unidos com os seguintes nomes: Gabriel Giuliano Leoni, de nacionalidade italiana; Laura Rojas Ayala, de nacionalidade boliviana. E, bem, duas menores de idade que, segundo este relatório, seriam as filhas de Laura Rojas (…)”, o que não foi informado pela Polícia.

idm/jpm/bm

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