Sexta-feira, Julho 03, 2026
NOTÍCIA

Conflito no Médio Oriente desencadeia crise energética global

Londres, 2 jul (Prensa Latina) O conflito no Médio Oriente é hoje considerado pelos analistas como o principal impacto económico no setor energético a nível global, um choque energético que abala a recuperação mundial.

Esse problema militar desencadeou uma crise energética que está a travar o crescimento mundial, segundo o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), com efeitos particularmente graves nas economias em desenvolvimento.

A economia global enfrenta um panorama sombrio. O BM reduziu drasticamente a sua previsão de crescimento para 2026, situando-a em 2,5 por cento, um valor que representa a expansão mais fraca fora de uma recessão em quase duas décadas.

Este ajustamento em baixa, que afeta cerca de dois terços das economias do planeta, é consequência direta da guerra no Médio Oriente e do consequente encerramento do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o fluxo de petróleo a nível global.

No ano passado, a economia global cresceu 2,9%. Agora, esperamos um crescimento de 2,5%, afirmou o vice-diretor do Banco Mundial, Ayhan Kose, ao apresentar o relatório.

O FMI, que em abril tinha esboçado um cenário adverso com o preço do petróleo a 100 dólares por barril, já observa uma queda nos preços da energia e das matérias-primas, na sequência de um cessar-fogo e da reabertura do estreito.

No entanto, a normalização total não será imediata, uma vez que as cadeias de abastecimento e os preços dos fretes demorarão a adaptar-se, segundo declarou a porta-voz do FMI, Julie Kozack.

A volatilidade do mercado persiste e a organização alerta que o impacto econômico do conflito ainda está a desenrolar-se.

O verdadeiro peso da crise recai sobre os países em desenvolvimento. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) identificou 61 economias vulneráveis que dependem tanto das importações de petróleo como de cereais, incluindo 35 dos países menos desenvolvidos.

Para estas nações, o aumento dos preços dos combustíveis e dos fretes representa uma pressão insuportável sobre as finanças públicas e as famílias.

O choque não termina com a reabertura do Estreito de Ormuz, independentemente do que diga a manchete, sublinhou o porta-voz da UNCTAD, Marcelo Risi. Estima-se que as nações mais vulneráveis possam enfrentar um aumento de 20 mil milhões de dólares por ano nas suas despesas com importações.

O encarecimento da energia repercute-se diretamente nos alimentos, agravando a insegurança alimentar.

A UNCTAD alerta que um aumento de 5% nos preços reais dos alimentos eleva em 15% o risco de desnutrição aguda em crianças pobres.

Na África Subsariana, a situação é crítica; embora se preveja um crescimento de 4%, o Banco Mundial assinala que o aumento dos custos de transporte e dos fertilizantes terá um impacto severo na inflação e na segurança alimentar da região, que é maioritariamente importadora líquida de energia.

Os governos destes países, com uma margem orçamental muito limitada, vêem-se obrigados a conceber medidas de apoio que sejam oportunas, específicas e temporárias, para não agravar as suas finanças já frágeis.

mem/rfc/bm

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa