A mensagem, de caráter confidencial, aborda a evolução da situação de segurança no leste do Congo, bem como as excelentes relações entre os dois países e a cooperação entre os chefes de Estado, conforme declarou à imprensa Anzuluni Isiloketshi.
O enviado descreveu a situação no leste do Congo como “muito preocupante”, marcada por confrontos armados, perda de vidas e crise humanitária, apesar dos esforços diplomáticos e políticos em andamento.
Ele se referiu ao diálogo nacional inclusivo convocado pelo governo congolês e apoiado pelos líderes religiosos, que deve ocorrer nos próximos dias com o objetivo de fortalecer a coesão nacional e buscar soluções para pôr fim ao conflito.
Ele acrescentou que esse processo deve criar as condições para consolidar a paz e enfrentar os desafios de segurança que afetam a região.
Desde janeiro, o presidente Tshisekedi concordou com a realização de um diálogo nacional inclusivo e buscou o apoio de Angola, que, no mês de fevereiro, recebeu da União Africana o mandato de estabelecer a coordenação.
No entanto, o chefe de Estado da RDC havia se recusado a permitir qualquer participação dos rebeldes da Aliança do Rio Congo-Movimento 23 de Março (AFC/M23), que, com o apoio de Ruanda, mantêm ocupados vários territórios nas províncias de Kivu do Sul e Kivu do Norte.
O presidente também havia insistido para que essas conversas fossem organizadas em Kinshasa pelo governo, sem que essa iniciativa colocasse em causa as instituições estabelecidas por meio de eleições, o que foi rejeitado pela oposição.
Angola informou, no último dia 20 de maio, sobre a apresentação ao Governo da RDC de um Roteiro para um diálogo intercongolês inclusivo e seus respectivos Termos de Referência, em cumprimento ao mandato recebido.
O comunicado indicou que, após consultas às partes interessadas, as opiniões e pontos de vista dos atores foram compilados em uma proposta, que foi apresentada ao presidente Tshisekedi em 7 de março. O Ministério das Relações Exteriores de Angola precisou, então, que havia recebido a resposta das autoridades da RDC e reiterou a vontade de manter laços de boa vizinhança, amizade e cooperação bilateral, deixando entrever a existência de divergências.
O tema voltou à tona no início de julho, quando o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, atual presidente da União Africana, reuniu-se em seu país com líderes da oposição e religiosos para abordar as possíveis limitações a um diálogo intercongolês.
Na mesma semana, uma delegação da Conferência Episcopal Nacional do Congo viajou para Brazzaville e conversou com o presidente do Congo, Denis Sassou-NâÖGuesso, e um enviado especial chegou a Luanda com uma missiva para o chefe de Estado, João Lourenço.
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