Esse problema militar desencadeou uma crise energética que está a travar o crescimento mundial, segundo o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), com efeitos particularmente graves nas economias em desenvolvimento.
A economia global enfrenta um panorama sombrio. O BM reduziu drasticamente a sua previsão de crescimento para 2026, situando-a em 2,5 por cento, um valor que representa a expansão mais fraca fora de uma recessão em quase duas décadas.
Este ajustamento em baixa, que afeta cerca de dois terços das economias do planeta, é consequência direta da guerra no Médio Oriente e do consequente encerramento do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o fluxo de petróleo a nível global.
No ano passado, a economia global cresceu 2,9%. Agora, esperamos um crescimento de 2,5%, afirmou o vice-diretor do Banco Mundial, Ayhan Kose, ao apresentar o relatório.
O FMI, que em abril tinha esboçado um cenário adverso com o preço do petróleo a 100 dólares por barril, já observa uma queda nos preços da energia e das matérias-primas, na sequência de um cessar-fogo e da reabertura do estreito.
No entanto, a normalização total não será imediata, uma vez que as cadeias de abastecimento e os preços dos fretes demorarão a adaptar-se, segundo declarou a porta-voz do FMI, Julie Kozack.
A volatilidade do mercado persiste e a organização alerta que o impacto econômico do conflito ainda está a desenrolar-se.
O verdadeiro peso da crise recai sobre os países em desenvolvimento. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) identificou 61 economias vulneráveis que dependem tanto das importações de petróleo como de cereais, incluindo 35 dos países menos desenvolvidos.
Para estas nações, o aumento dos preços dos combustíveis e dos fretes representa uma pressão insuportável sobre as finanças públicas e as famílias.
O choque não termina com a reabertura do Estreito de Ormuz, independentemente do que diga a manchete, sublinhou o porta-voz da UNCTAD, Marcelo Risi. Estima-se que as nações mais vulneráveis possam enfrentar um aumento de 20 mil milhões de dólares por ano nas suas despesas com importações.
O encarecimento da energia repercute-se diretamente nos alimentos, agravando a insegurança alimentar.
A UNCTAD alerta que um aumento de 5% nos preços reais dos alimentos eleva em 15% o risco de desnutrição aguda em crianças pobres.
Na África Subsariana, a situação é crítica; embora se preveja um crescimento de 4%, o Banco Mundial assinala que o aumento dos custos de transporte e dos fertilizantes terá um impacto severo na inflação e na segurança alimentar da região, que é maioritariamente importadora líquida de energia.
Os governos destes países, com uma margem orçamental muito limitada, vêem-se obrigados a conceber medidas de apoio que sejam oportunas, específicas e temporárias, para não agravar as suas finanças já frágeis.
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