Sexta-feira, Julho 03, 2026
NOTÍCIA

Organizações do Equador anunciarão ações para a destituição de Noboa

Quito, 2 jul (Prensa Latina) Organizações sociais do Equador irão informar hoje sobre o estado dos dois pedidos de destituição do mandato do presidente Daniel Noboa e anunciar novas ações de mobilização para exigir o avanço desse processo.

Os dirigentes da Plataforma Cidadã Revoca EC, que impulsiona a iniciativa, se pronunciarão sobre o andamento dos pedidos de formulários para a recolha de assinaturas que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) deve entregar, caso determine que os pedidos cumprem os requisitos.

Além disso, irão responder à documentação apresentada pelo Executivo em defesa do presidente e anunciarão ações para exigir o respeito pelo direito à participação cidadã e pelos princípios democráticos.

Até ao momento, foram apresentados ao CNE dois pedidos para dar início à recolha das assinaturas necessárias para o mecanismo de revogação, previsto na Constituição.

Os promotores de ambas as iniciativas sustentam que o presidente e a sua vice-presidente, María José Pinto, não cumpriram o programa de governo apresentado durante a campanha eleitoral de 2025.

Entre os seus argumentos, referem o aumento dos impostos, a eliminação dos subsídios aos combustíveis, as reformas económicas e laborais, bem como o impulso a projetos de exploração de recursos naturais contestados por grupos indígenas e ambientalistas.

O primeiro pedido foi apresentado a 9 de junho por membros da plataforma «Revoca EC», entre os quais o advogado Washington Andrade, o ativista Jorge Cárceres e o líder indígena Leonidas Iza.

Posteriormente, a 23 de junho, organizações como a União Nacional de Educadores (UNE), a Confederação Nacional de Organizações Camponesas, Indígenas e Negras (Fenocin) e a Frente Popular apresentaram um segundo pedido de revogação.

O Executivo defende que este tipo de iniciativas responde a motivações políticas destinadas a desestabilizar o Governo.

Noboa solicitou ao CNE que indeferisse o pedido de destituição e enviou mais de 14 mil 500 folhas de documentação, distribuídas por 22 caixas, com o objetivo de demonstrar o cumprimento do seu plano de governo.

A ministra do Governo, Nataly Morillo, classificou o processo como «o último absurdo da oposição política» e assegurou que os pedidos carecem de fundamentos suficientes para ativar o mecanismo de democracia direta. Em resposta, representantes da Revoca EC solicitaram acesso ao conteúdo dos documentos apresentados pelo Governo e questionaram o facto de o Executivo pretender fundamentar a sua defesa com o que classificaram como «caixas de cartão cheias de mentiras».

npg/avr/bm

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa