Durante um diálogo virtual ontem à noite com comunicadores e jornalistas brasileiros, o diplomata deixou claro que a situação atual de Cuba também constitui uma batalha de ideias relacionada a princípios como a soberania, a autodeterminação dos povos e o direito de cada nação de escolher seu próprio caminho de desenvolvimento. Nesse contexto, ele denunciou que os Estados Unidos mantêm uma estratégia voltada para provocar uma crise humanitária e um colapso econômico na ilha, com o objetivo de gerar descontentamento social que sirva de pretexto para ações mais agressivas contra a Revolução cubana.
Cairo afirmou que a comunidade internacional não apoia tais argumentos e reiterou que Cuba não representa uma ameaça para Washington.
Ele denunciou que as medidas norte-americanas buscam provocar um estrangulamento econômico de Cuba por meio de sanções, restrições comerciais e obstáculos ao fornecimento de petróleo.
Um dos aspectos mais delicados, observou ele, é o chamado cerco energético, decorrente de restrições que dificultam a chegada de combustíveis a Cuba.
Além disso, questionou o impacto das sanções secundárias anunciadas por Washington contra pessoas ou empresas que mantenham laços comerciais com Cuba e referiu-se à importância de o Brasil analisar como proteger empresários e cidadãos brasileiros interessados em desenvolver relações econômicas com a ilha.
Com relação à situação interna, Cairo reconheceu que Cuba enfrenta momentos complexos e destacou que o governo está promovendo transformações voltadas para modernizar a economia, ampliar as capacidades produtivas e preservar as conquistas sociais da Revolução.
Ele explicou que as transformações recentemente anunciadas buscam fortalecer a produção nacional e aperfeiçoar os mecanismos de proteção social para concentrar a ajuda estatal nos setores mais vulneráveis da população.
Além disso, o embaixador insistiu que um dos maiores problemas da percepção sobre Cuba no Brasil é a falta de conhecimento direto sobre o que ocorre na ilha. “As pessoas não conhecem Cuba, não sabem o que está acontecendo na realidade”, afirmou.
Estamos em um momento muito complexo para a sociedade cubana, mas, ao mesmo tempo, é um momento em que devemos intensificar a denúncia contra essa agressão e esse genocídio que estão ocorrendo em Cuba, declarou.
Cairo lembrou que a nação antilhana tem demonstrado grande solidariedade há mais de 60 anos com muitos povos do mundo e destacou a importância de que os outros países também ofereçam esse apoio à ilha.
No diálogo esteve presente o escritor e jornalista brasileiro Fernando Morais, que também se referiu à necessidade de demonstrar apoio ao país caribenho.
Morais também fez alusão às décadas de agressões dos Estados Unidos contra Cuba, em meio ao recrudescimento do cerco norte-americano contra a ilha.
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