Quarta-feira, Julho 22, 2026
NOTÍCIA

A indústria do pão na penumbra do século XXI

Londres, 22 jul (Prensa Latina) Em um mundo repleto de conflitos geopolíticos e divergências comerciais, o pão surge hoje em meio à penumbra do mercado desse produto tão relevante.

Na visão dos operadores de mercado, a indústria panificadora mundial pode ser afetada pelas diretrizes de saúde atuais, sobretudo considerando que muitos médicos restringem o consumo desse alimento por parte de seus pacientes, sem falar na luta contra a obesidade. Além do impacto dos conflitos.

O pão de cada dia parece estar perdendo espaço nas recomendações dos médicos quando se trata de uma alimentação saudável, e tais diretrizes, especialmente no que diz respeito à obesidade, podem muito bem arruinar a indústria desse tipo de produto. Apesar de ser um alimento ancestral, muitas pessoas demonstram uma preocupação constante em comer um lanchinho que contenha pão, por medo de ganhar peso ou simplesmente agravar alguma condição de saúde já preocupante.

No entanto, alguns especialistas direcionam o alerta fundamental para a relação do pão com outros ingredientes, como manteiga, queijo ou presunto. O pão combina bem com qualquer outro produto que possa agravar certas doenças.

Esse é o ponto de vista da nutricionista britânica Azmina Govindji, que, em uma conversa com o padeiro Dan Lepard, destacou que, na hora de fazer as contas, é preciso somar as calorias do pão e do que é colocado nele.

O pão faz parte do repertório alimentar do ser humano desde a antiguidade; alguns documentos históricos indicam que sempre foi um elemento básico, desde tempos remotos em que se fazia pão ázimo, ou seja, sem fermento, e isso ocorria há 12 mil anos, muito antes de se misturar farinha e água.

Essas fontes indicam ainda que foram os egípcios que descobriram como fazer pão e utilizavam fermento selvagem para fermentá-lo.

No entanto, o pão passou de um alimento importante para um produto extremamente criticado por ser uma fonte de carboidratos prejudicial para certas doenças e associado à obesidade. Portanto, quem sofre de problemas cardíacos deve comer apenas fatias finas de pão torrado, por exemplo.

Mas existem critérios divergentes, entre eles o de que o pão fabricado industrialmente contém muitos conservantes, aditivos e sal, o que o torna pouco saudável. No entanto, tais observações, que não estão distantes da realidade, apontam para os carboidratos necessários a uma dieta equilibrada.

A Revolução Industrial inglesa teve grande influência sobre o pão, pois, em 1874, o britânico John Caudwell construiu um moinho de farinha movido a água. Pouco depois, foi inventado o pão de forma e, em 1961, o processo de fabricação desse produto passou a permitir a mistura da massa de maneira mais rápida e em grande escala.

Esses processos resultaram em um pão branco mais barato, que é geralmente o consumido pelas famílias, e trouxeram consigo alguns aspectos negativos.

O pão contém nutrientes importantes, aditivos e conservantes que muitas pessoas preferem evitar; por isso, dois terços do pão na França são assados em pequenas fábricas, ou padarias.

Mas é preciso escolher bem o pão, como no caso do integral, que, apesar de também ser industrial, contém o grão inteiro do cereal e, portanto, o dobro de fibras.

Portanto, tudo indica que as padarias artesanais oferecem um produto mais saudável, como é o caso das baguetes francesas, que provêm até mesmo de negócios familiares com muitos anos de história.

O dilema estaria em buscar, como tudo na vida, um equilíbrio que leve em conta o tipo de pão, seus ingredientes e a forma de consumi-lo, considerando os aditivos que podem fornecer gorduras ou sal.

Apesar desses debates, o pão continua sendo um alimento importante, muito apreciado, necessário e que deve ser consumido, como tudo na vida, com o equilíbrio adequado e o conhecimento exato das condições de saúde de cada pessoa, mas, acima de tudo, deve-se garantir seu acesso em zonas de conflito.

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