Sexta-feira, Julho 03, 2026
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Despesas com a defesa na mira dos economistas

Londres, 2 jul (Prensa Latina) Os gastos com defesa a nível global continuam hoje entre os principais temas de análise para os economistas, num contexto de grande instabilidade.

Alguns especialistas questionam-se, a este respeito, se se trata de um «motor temporário» ou de um «fardo fiscal» para a economia global.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que o aumento das despesas militares, impulsionado pelas tensões geopolíticas, estimula a economia a curto prazo, mas faz disparar a dívida pública e desloca o investimento social.

O mundo assiste a um aumento sem precedentes dos gastos com a defesa. Países da Europa, dos Estados Unidos e de outras regiões aumentam os seus orçamentos militares face ao recrudescimento dos conflitos e à pressão para assumir maiores responsabilidades em matéria de segurança.

O FMI analisa esta tendência no seu mais recente «World Economic Outlook», e o diagnóstico é agridoce: os gastos militares funcionam como um motor económico imediato, mas suscitam dúvidas quanto à sustentabilidade fiscal a médio prazo.

De acordo com a análise, que abrange dados de mais de 160 países desde 1946, um «boom» típico dos gastos com a defesa aumenta a despesa em cerca de 2,7 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) num período de dois anos e meio.

Cerca de dois terços deste aumento são financiados através de um maior défice orçamental.

Os números são reveladores: o défice público agrava-se, em média, 2,6 pontos do PIB, e a dívida pública aumenta aproximadamente sete pontos percentuais em três anos.

Os aumentos da despesa com a defesa são normalmente financiados através do défice, o que gera um aumento típico da dívida pública, salienta o relatório.

O impacto varia se o país se encontrar em situação de guerra. Em cenários bélicos, a conta é muito mais elevada: a dívida pública pode disparar em 14 pontos percentuais do PIB, e a despesa social em saúde, educação e proteção diminui em termos reais, evidenciando o clássico dilema entre «canhões e manteiga».

Os booms em tempos de guerra são especialmente onerosos, alertam os investigadores do FMI Hippolyte Balima, Andresa Lagerborg e Evgenia Weaver.

O FMI salienta que o multiplicador fiscal da despesa com a defesa ronda o valor de um, o que significa que o efeito sobre o produto é praticamente de um para um, sem um efeito multiplicador significativo sobre a atividade económica.

O desafio para os governos é enorme: equilibrar a necessidade de garantir a segurança nacional com a urgência de manter as contas públicas saudáveis e não comprometer o bem-estar social.

Recomendam, por isso, que os países concebam medidas de apoio que sejam oportunas, específicas e temporárias, para não agravar a sua fragilidade fiscal. O aumento das despesas militares é já uma realidade que não dá sinais de se reverter, o que obriga a repensar as prioridades orçamentais num mundo em que o conflito passa de um risco de cauda para uma condição de base.

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