Estamos preocupados com a escalada drástica dos confrontos armados entre o Emirado Islâmico do Afeganistão e a República Islâmica do Paquistão, com o uso de unidades regulares dos exércitos, aviação e armas pesadas”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do gigante eurasiano.
A diplomata lamentou que, como consequência dos confrontos, “em ambos os lados há mortos e feridos, entre eles civis”.
Além disso, Zajárova destacou que as duas nações são “amigas” da Rússia, diante do que insistiu na necessidade de “renunciar a uma confrontação perigosa e voltar à mesa de negociações para resolver todas as diferenças por via política e diplomática”.
Anteriormente, o enviado especial do presidente Vladimir Putin para o Afeganistão, Zamir Kabúlov, comentou nesta sexta-feira que Moscou está disposta a mediar se ambas as partes assim o solicitarem.
“Estamos defendendo que os ataques recíprocos entre Islamabad e Cabul cessem o mais rápido possível e que as diferenças sejam resolvidas por meio da diplomacia”, afirmou o assessor do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Na véspera, o Afeganistão anunciou o início de uma operação de retaliação contra o Paquistão nas zonas fronteiriças com as províncias de Khost, Nuristão, Paktika e outras, devido aos ataques aéreos do fim de semana passado que, segundo as autoridades afegãs, causaram dezenas de vítimas civis, entre elas mulheres e crianças.
Em uníssono, as forças paquistanesas responderam com bombardeios nas regiões afegãs de Cabul, Kandahar e Paktika.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o Afeganistão.
Nesta espiral de conflito, Islamabad afirmou ter matado pelo menos 133 soldados paquistaneses; por sua vez, Cabul reivindica a morte de 55 militares paquistaneses.
A fase anterior de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão começou na segunda semana de outubro. Durante esse período, as hostilidades se espalharam por toda a linha Durand, fronteira não reconhecida por Cabul. Ambos os países do sul da Ásia se acusaram mutuamente pela escalada da violência.
A este respeito, o Paquistão afirmou que os ataques eram uma resposta às ações perpetradas pela organização Tehreek-e-Taliban Pakistan e outros grupos armados ilegais que encontram refúgio em território afegão.
Enquanto isso, as autoridades do Afeganistão garantiram que aplicaram represálias contra as violações de sua integridade territorial.
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