Quarta-feira, Junho 10, 2026
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Itália condena pressão dos EUA contra médicos cubanos na Calábria

Roma, 26 fev (Prensa Latina) A Itália é vítima de uma forte pressão intervencionista do governo norte-americano contra a presença de uma brigada médica cubana na região sul da Calábria, e ceder a essas ameaças prejudicaria a soberania nacional, alertam hoje analistas.

“Nosso país também sofre o ataque dos Estados Unidos, que pretendem nos obrigar a não colaborar com Cuba de forma alguma”, afirma um editorial publicado no jornal Il Faro di Roma, assinado por Rita Martufi, Salvatore Izzo e Luciano Vasapollo, membros da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade (REDH).

“Médicos, não bombas: O desafio de Cuba e da Calábria à interferência criminosa dos Estados Unidos e a batalha pela nossa assistência médica” é o título do texto sobre as ações na Itália do encarregado de negócios da embaixada norte-americana em Havana, Mike Hammer, que se reuniu na última segunda-feira com o governador da Calábria, Roberto Occhiuto.

Após esse encontro, Occhiuto declarou que reafirmou ao enviado norte-americano que “os médicos cubanos continuam sendo um recurso indispensável para garantir a estabilidade do sistema de saúde da Calábria” e enfatizou o objetivo de contar com mil desses médicos no futuro.

A Calábria, uma das regiões mais pobres da Itália, há anos enfrentava o risco de fechamento de hospitais e salas de emergência, deixando comunidades inteiras sem atendimento médico essencial. No entanto, com o recente apoio de centenas de médicos cubanos, foi possível suprir essa carência.

No entanto, “justamente quando nosso sistema regional de saúde luta para sobreviver, desencadeia-se uma batalha feroz e insustentável, desta vez de natureza geopolítica”, que afeta “a soberania de nossos serviços de saúde”, afirmam os autores dessa análise.

Esse critério se soma ao expressado recentemente pelo legislador Angelo Bonelli, líder da aliança parlamentar entre os partidos Europa Verde e Esquerda Italiana, que instou a primeira-ministra Giorgia Meloni a “combater a interferência indevida de uma nação estrangeira nos assuntos internos deste país”.

No passado dia 26 de dezembro, completou-se o terceiro aniversário da chegada à Itália do primeiro contingente da Brigada Médica Cubana, uma iniciativa que partiu do governo da Calábria diante da grave situação sanitária que enfrentava essa região.

A chegada à Calábria dos primeiros 51 médicos cubanos, em cumprimento a um acordo assinado em julho de 2022, ocorreu no final daquele ano, enquanto um segundo grupo chegou em 4 de agosto de 2023.

Nos meses de janeiro, fevereiro, abril e outubro de 2024, bem como em maio de 2025, novos contingentes de especialistas em saúde se juntaram ao grupo, o que permitiu cobrir vagas em 29 hospitais das cinco províncias calabresas de Vibo Valentia, Catanzaro, Crotone, Cosenza e Reggio Calabria.

“Os médicos cubanos representam um exemplo extraordinário de altruísmo e cooperação humanitária” e, para o imperialismo norte-americano, é inaceitável que “um país pequeno e submetido ao seu bloqueio possa expressar uma solidariedade internacional tão ampla”, acrescenta o editorial do Il Faro di Roma.

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