17 de January de 2022
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Naomi contra os fantasmas

Naomi contra os fantasmas

San Salvador, 13 jun (Prensa Latina) Roland Garros 2021 certamente ficará para a história, não importa quem ganhe, e será pela determinação de Naomi Osaka em enfrentar os organizadores e um problema do qual ninguém escapa, muito menos os atletas de elite: depressão. Não conheço os outros, mas só tenho uma palavra para a Naomi ... Bravo!.
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Por mais paradoxal que possa parecer, a decisão da tenista de se retirar deste Grand Slam pode ser interpretada como uma vitória, pois revelou um debate necessário sobre saúde mental e esportes de alto rendimento. E talvez, com sorte, isso nos ajude a ter uma boa visão dessas estrelas como seres humanos.

Por exemplo, nesses playoffs da estadunidense Associação Nacional de Basquete (NBA), vários torcedores foram banidos do estádio e até mesmo presos por atirar objetos e insultos aos jogadores. O atrevimento desses provocadores ultrapassou os limites, e atletas, pessoas como você e eu, disseram ‘basta, basta’.

Esses hooligans podem pensar que os grandes – e bem merecidos – salários que as estrelas ganham os tornam imunes, quando na verdade os tornam mais vulneráveis. Lendas como Ian Thorpe, Andrés Iniesta e mesmo Michael Phelps não souberam lidar bem com a pressão e sofreram ansiedade, angústia e uma vigília quase patológica.

Em seu desespero, alguns pesam o suicídio e, infelizmente, vários o fizeram, como o goleiro internacional alemão Robert Enke, que se suicidou se atirando na frente de um trem, uma tragédia que chocou o esporte em 2009. Se ao menos eu pedisse ajuda…

Voltando a Osaka, a segunda colocada no ranking mundial decidiu deixar o campeonato parisiense quando seus organizadores ameaçaram expulsá-la por sua relutância em falar à imprensa. A estrela de 23 anos afirmou que precisava ‘proteger sua saúde mental’ depois de sofrer episódios depressivos recorrentes desde 2018.

A vencedora de quatro Grand Slams é uma introvertida, acalmando sua ansiedade social com música em seus fones de ouvido. Motivos de sobra para o trauma: filha de um haitiano e de um japonês, Osaka sentia racismo na família materna, que considerava vergonhosa a relação com um negro.

Para piorar as coisas, seu primeiro grande triunfo sempre estará associado ao escândalo que a lendária Serena Williams armou na final do Aberto dos Estados Unidos em 2018. Naquela noite, e apesar de vencer por parciais por 6-2 e 6-4, Osaka recebeu o troféu entre um coro de vaias. E ela chorou, porque não era justo.

Você teve seus motivos, Serena, porém foi mal feito.. No entanto, Naomi encara seus problemas com determinação e não hesita em levantar a voz por demandas sociais, como o movimento Black Lives Matter.

A decisão de deixar o tênis indefinidamente pode parecer covarde, mas é corajosa como poucos.

Por enquanto, seu exemplo faz com que cada vez mais atletas sintam que falar e pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Os organizadores das chamadas Big Four (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open) recuaram e agora dizem que vão se comprometer mais com a saúde mental dos jogadores. Veremos…

Só por isso, Naomi Osaka é campeã no torneio mais importante, para não dizer o único autêntico e relevante: a vida.

(Retirado do DEPORTIVO, suplemento mensal do jornal ORBE)

/ hb

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