O representante permanente da Namíbia junto à ONU, Penda Naanda, que falou em nome das nações africanas, lembrou que, há mais de três décadas, a AGNU vota a favor do encerramento dessa política. Ele ressaltou que, em julho passado, o tema foi novamente debatido diante do agravamento da situação.
Essa preocupação permanece inalterada, afirmou Naanda, destacando que, segundo o último relatório do Secretário-Geral sobre o assunto, os danos à economia cubana no último ano não têm precedentes, especialmente no que diz respeito ao impacto na assistência médica, na produção de alimentos, no transporte e na geração de energia.
“As restrições ao combustível levaram a apagões prolongados por toda a ilha. Serviços básicos e hospitais têm enfrentado sérias dificuldades para funcionar”, acrescentou Naanda.
O representante do Grupo Africano também enfatizou a preocupação com as consequências extraterritoriais das medidas aplicadas contra a nação caribenha.
“Bancos, empresas e outros países africanos deparam-se com obstáculos ao realizar operações financeiras e comerciais lícitas com Cuba. Isso contraria as normas internacionais que regem o comércio entre Estados, bem como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento, aprovada por esta mesma Assembleia”, enfatizou.
O diplomata ressaltou que a África manifestou sua oposição ao bloqueio no mais alto nível: por 17 vezes consecutivas, a Assembleia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana defendeu o fim dessa política. Além disso, em fevereiro passado, expressou sua preocupação com o fato de Cuba constar na lista de supostos países que patrocinam o terrorismo; por isso, perante a Assembleia Geral da ONU, o Grupo Africano reitera o apelo para que a ilha seja removida dessa lista.
O diplomata detalhou a história de solidariedade que une a nação caribenha ao continente africano, visto que Cuba apoiou os povos da África em sua luta pela liberdade e também no fim do apartheid, além de ter contribuído para a independência da Namíbia.
“Os médicos cubanos trabalharam durante a epidemia de ebola de 2014, e médicos e professores continuam ajudando e salvando vidas em nosso continente. Muitos de nossos médicos foram formados em universidades em Cuba”, lembrou.
O representante reafirmou o compromisso do Grupo Africano com a soberania, a integridade territorial e a independência do arquipélago antilhano, e ressaltou que as divergências entre Estados devem ser resolvidas por meio do diálogo, com base no respeito mútuo.
“Defendemos o levantamento total do bloqueio, para que o povo de Cuba possa impulsionar sua independência, com paz e dignidade. Solidarizamo-nos, mais uma vez, com o povo e o governo de Cuba”, concluiu.
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