Em seu site oficial, a ONU lamentou que décadas de resoluções, convenções e compromissos não sejam suficientes para garantir a segurança de menores de idade durante guerras, e responsabilizou os governos pelo ocorrido.
Em 2025, foram registradas 38.558 violações graves contra 24.174 crianças, um recorde desde a criação, em 1996, do mandato dedicado às crianças em conflitos armados, informou o órgão.
Pela primeira vez desde aquele ano, as forças governamentais são responsáveis pela maioria das violações graves verificadas, indicou Vanessa Frazier, representante especial do secretário-geral da ONU, António Guterres.
Isso marca uma mudança preocupante. Espera-se que os Estados garantam o respeito ao direito internacional; no entanto, eles aparecem agora à frente dos atos de violação contra crianças, ao lado de grupos armados. Assassinatos, mutilações, recrutamentos forçados, violência sexual, sequestros, ataques a escolas e hospitais, ou entraves à ajuda humanitária: nenhuma das seis categorias monitoradas pela ONU poupa as crianças, acrescentou.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mais de 70% das mortes ou mutilações de crianças em 2025 foram causadas por armas explosivas, e a maior incidência de agressões contra elas ocorreu nos territórios palestinos, no Congo e na Nigéria.
O organismo internacional alertou que, atualmente, os conflitos se prolongam, os combates atingem áreas urbanas e os meios de destruição evoluem mais rapidamente do que os mecanismos de proteção. Além disso, apontou que as novas tecnologias agravam ainda mais os riscos, uma vez que drones, sistemas de armas autônomos e inteligência artificial permitem acelerar as operações militares, ao mesmo tempo em que distanciam os responsáveis pela tomada de decisões humanas do uso da força.
Ademais, grupos armados encontram na Internet novos meios para recrutar e explorar menores.
rc/gas/dns





