Quarta-feira, Outubro 14, 2026
NOTÍCIA

Infância, direitos e a tradição de presentear no Brasil

Brasília, 12 de out (Prensa Latina) – Entre brinquedos e expectativas familiares, o Brasil celebra hoje o Dia das Crianças, uma data que surgiu por iniciativa legislativa há mais de um século e ganhou sua dimensão comercial décadas mais tarde.

Anúncios nas lojas convidam a escolher bonecas, bolas, videogames e personagens da moda; nos lares, mães, pais e outros familiares buscam maneiras de surpreender os pequenos.

No entanto, segundo relatos da imprensa, por trás dessa tradição — que todo mês de outubro movimenta o comércio e desperta memórias da infância — existe uma história menos conhecida.

A celebração tem suas raízes na década de 1920, quando o Brasil começava a promover iniciativas relacionadas à educação e à proteção de menores.

Em 1923, o Rio de Janeiro sediou o III Congresso Sul-Americano da Criança, encontro que contribuiu para colocar a infância no debate público.

No ano seguinte, o presidente Artur Bernardes assinou o decreto 4.867, de 5 de novembro de 1924, instituindo o dia 12 de outubro como data nacional dedicada aos pequenos.

O documento oficial, preservado nos arquivos legislativos da Câmara dos Deputados, estabeleceu a data para celebrar a chamada Festa das Crianças.

Contudo, a iniciativa demorou a se enraizar nos costumes populares e, durante várias décadas, o dia passou praticamente despercebido por boa parte da população, até que o comércio encontrou uma fórmula para incorporá-lo ao seu calendário.

A indústria de brinquedos e as empresas de produtos infantis começaram, na década de 1950, a promover campanhas destinadas a estimular as compras.

Uma das mais conhecidas foi a “Semana do Bebê Robusto”, promovida pela fabricante Estrela em parceria com a Johnson & Johnson.

Essa estratégia publicitária ajudou a popularizar a celebração e transformou o 12 de outubro em uma data associada à troca de presentes. Com o passar do tempo, a data passou a integrar o calendário de grandes eventos comerciais do país, ao lado do Dia das Mães e do Dia dos Pais, embora sua origem tenha sido legislativa e não publicitária.

Essa transformação também abriu espaço para novos costumes familiares, mas trouxe consigo certa pressão sobre aqueles que não podem arcar com despesas extras.

A professora universitária Magda Sarat destacou, em declarações ao portal de notícias G1, que presentear não exige comprar o item mais caro e que é importante levar em conta os interesses de cada criança.

Para além das vitrines, a data convida a lembrar que a infância não se resume ao consumo.

Aprovada pelas Nações Unidas em 1989, a Convenção sobre os Direitos da Criança reconhece os menores como sujeitos de direitos; já o Brasil conta, desde 1990, com o Estatuto da Criança e do Adolescente, marco legal para a sua proteção integral.

dfm/dsa/tc

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa