Havana, 6 out (Prensa Latina). Cuba relembra hoje um dos dias mais dolorosos de sua história: 6 de outubro de 1976, quando um avião da Cubana de Aviación foi destruído em pleno voo sobre o Caribe, em um crime que abalou todo o país.
Há meio século, o voo CU-455 fazia a rota da Guiana para Havana, com escalas previstas em Trinidad e Tobago, Barbados e Jamaica; após decolar do aeroporto Seawell, em Bridgetown, duas explosões provocaram a queda da aeronave no mar.
Nenhum dos ocupantes sobreviveu, e as 73 pessoas a bordo, 57 cubanos, 11 guianenses e cinco cidadãos da República Popular Democrática da Coreia, tornaram-se vítimas de um dos episódios mais dolorosos da história contemporânea de Cuba e do Caribe.
Entre elas estava a equipe cubana de esgrima, que retornava dos Jogos Centro-Americanos e do Caribe, em Caracas, onde havia alcançado resultados de destaque, juntamente com trabalhadores e cidadãos de três países que simplesmente voltavam para casa.
Por trás daquele número, ficaram famílias, projetos, afetos, sonhos e vidas que ainda tinham muito pela frente.
O crime de Barbados ocorreu em um período particularmente conturbado da história de Cuba e do Caribe, quando, nas décadas de 1960 e 1970, sucederam-se sabotagens, atentados e outras ações violentas contra Cuba, algumas delas com consequências fatais.
Barbados não foi um episódio isolado naquela história, embora sua gravidade tenha adquirido uma dimensão singular devido ao cenário escolhido: um avião civil em pleno voo, com passageiros de três países, transformado em alvo de uma ação que ceifou a vida de todos os seus ocupantes. Investigações posteriores levaram à Venezuela, onde foram detidos Freddy Lugo e Hernán Ricardo Lozano, posteriormente processados por sua participação no atentado, enquanto Luis Posada Carriles e Orlando Bosch foram apontados nas investigações por seu suposto envolvimento no planejamento do crime.
Documentos norte-americanos desclassificados registram vínculos de Posada Carriles com a CIA e contêm informações relacionadas a pessoas investigadas pelo atentado.
A comoção provocada pelo episódio de Barbados percorreu Cuba de ponta a ponta e acompanhou, durante décadas, as famílias que receberam a notícia de que aqueles entes queridos não mais retornariam.
A presença de cidadãos guianenses e coreanos conferiu, além disso, uma dimensão internacional ao crime e transformou aquela tragédia em uma página dolorosa da história do Caribe.
Para Cuba, Barbados passou a fazer parte de uma história mais ampla: a de um povo que sofreu inúmeros atos terroristas e outras ações violentas dirigidas contra seus cidadãos e seu território.
Por essa razão, o dia 6 de outubro ocupa um lugar especial no calendário nacional e é celebrado aqui como o Dia das Vítimas do Terrorismo de Estado.
Meio século separa aquele 6 de outubro de 1976 dos dias de hoje, mas o tempo não consegue apagar as consequências daquela tragédia.
Mudaram as gerações, as tecnologias e grande parte do mundo que cercava Cuba quando o crime ocorreu; enquanto isso, os jovens que retornavam de Caracas teriam hoje idade avançada, e aqueles que aguardavam seu retorno envelheceram convivendo com uma ausência que jamais escolheram.
Talvez essa seja uma das dimensões mais dolorosas: a história pode registrar uma data, uma rota aérea, um local e um número, mas nenhuma estatística consegue explicar o que aquela perda significou para quem ficou esperando.
Relembrar o crime significa, então, muito mais do que reconstruir a sequência de uma explosão, pois implica devolver a dimensão humana àqueles que viajavam naquele avião e reconhecer as consequências que a violência deixa muito depois de o fato ter ocorrido.
Significa também examinar a história com rigor, preservar documentos, esclarecer responsabilidades e exigir justiça.
Barbados permanece como uma das feridas mais profundas da história contemporânea de Cuba e do Caribe.
Em 6 de outubro de 1976, um avião caiu no mar e, com ele, terminou a viagem daqueles que voltavam para casa; mas, para suas famílias, aquela data nunca chegou ao fim.
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