Crimes de ódio, restrições ao espaço cívico, repressão e criminalização da dissidência estão em ascensão. “Nosso relatório mais recente pinta um quadro perturbador e fornece exemplos do impacto desse fenômeno em todas as áreas, incluindo segregação e acesso desigual à moradia, educação, emprego, saúde, terra, previdência social e justiça”, afirmou. Mulheres e crianças afrodescendentes enfrentam desafios específicos, enquanto refugiados e migrantes de origem africana, lésbicas, gays, bissexuais, intersexuais, queer e outras pessoas, bem como pessoas com deficiência, sofrem múltiplas e sobrepostas formas de discriminação, acrescentou.
Ela alertou que movimentos racistas e supremacistas estão se tornando comuns e que alguns tentam “distorcer cinicamente fatos históricos e dinâmicas de poder consolidadas”.
Dabo observou que tudo isso influencia as ações das forças policiais e do sistema de justiça criminal e denunciou a prisão injustificada e o uso desproporcional da força contra cidadãos afrodescendentes.
As disparidades são exacerbadas quando representantes armados do Estado — policiais, agentes da lei e funcionários da imigração — se sentem legitimados pelo discurso de ódio de líderes, apontou ela. Diante desse cenário, ela defendeu uma mudança de paradigma em direção ao investimento político e financeiro em justiça e igualdade racial por meio de medidas concretas.
Essas ações devem incluir planos e estratégias nacionais abrangentes; a coleta e o uso de dados desagregados; a representação e participação significativas de pessoas afrodescendentes na vida pública; o fortalecimento dos mecanismos de supervisão e responsabilização; e a implementação da justiça restaurativa para as vítimas da escravidão e do colonialismo, observou ela.
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