Teerã, 29 set (Prensa Latina) – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou hoje que Teerã aguarda uma resposta dos Estados Unidos às propostas transmitidas por meio de mediadores catarianos para pôr fim à tensão militar entre os dois países.
Em declarações feitas em Nova York e citadas pela imprensa local, Araqchi assegurou que o Irã não fez concessões sobre seu programa nuclear e esclareceu que as conversas atuais se concentram exclusivamente na situação do Estreito de Ormuz.
O chanceler iraniano explicou que se reuniu com autoridades do Catar, que atuam como mediadores, e que ambas as partes trocaram propostas sobre as condições apresentadas por Teerã, sem fornecer detalhes a respeito.
“O Catar apresentará essas ideias aos Estados Unidos e esperamos receber uma resposta amanhã”, afirmou Araqchi, indicando que retornará em breve a Teerã e que as decisões serão tomadas após conhecer a posição de Washington.
O chefe da diplomacia também refutou informações divulgadas pela imprensa internacional segundo as quais o Irã teria feito concessões na questão nuclear.
“A posição do Irã não mudou em nada e não houve conversas sobre esse assunto. As conversas atuais referem-se apenas ao Estreito de Ormuz”, ressaltou.
Araqchi sustentou que a reabertura do estreito à navegação dependerá do cumprimento das condições estabelecidas pelas autoridades iranianas e observou que elas foram definidas pelo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei.
Na opinião do chanceler, as condições apresentadas por Teerã são “justas e lógicas” e constituem, segundo afirmou, um caminho para alcançar uma solução diplomática, caso os Estados Unidos mantenham a disposição para negociar.
O ministro reiterou, ainda, que o Irã mantém abertas as opções diplomática e militar em meio ao atual confronto.
Na última sexta-feira, Araqchi informou que Teerã havia transmitido a Washington, por meio do Catar, um plano de sete dias para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação — iniciativa que, segundo sua declaração, deixava a decisão nas mãos dos Estados Unidos.
Um dia depois, o presidente americano Donald Trump rejeitou a proposta iraniana de um cessar-fogo de sete dias e a classificou como “inaceitável”.
A tensão entre os dois países se intensificou após o início, em 28 de fevereiro, de operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, às quais Teerã respondeu com ataques contra alvos israelenses e americanos em vários pontos da região. Posteriormente, Washington lançou novos ataques contra alvos iranianos, enquanto as negociações bilaterais permaneceram estagnadas, apesar da assinatura de um memorando de entendimento em meados de junho.
mem/mche/dns





