Segunda-feira, Setembro 28, 2026
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Contradições do Imperialismo Analisadas em Evento no Brasil

Niterói, Brasil, 26 set (Prensa Latina) A transição para um mundo multipolar não é um processo pacífico e é marcada pela crescente agressão dos Estados Unidos, afirmou a pesquisadora Georgina Németh Lesznova durante um encontro internacional que termina hoje nesta cidade brasileira.

Durante o 19º Seminário Internacional sobre Lutas contra o Neoliberalismo, a especialista do Centro de Pesquisa de Políticas Internacionais (CIPI) de Cuba analisou as transformações atuais do imperialismo utilizando o método dialético de Vladimir Ilyich Lenin, que concebia esse fenômeno como parte de um processo histórico sujeito a constantes mudanças decorrentes de suas contradições internas.

Németh Lesznova destacou que a lei do desenvolvimento desigual do capitalismo permite compreender suas diferentes etapas, que podem ser transformadas qualitativamente sem alterar sua essência exploradora e monopolista.

Németh Lesznova ressaltou que a lei do desenvolvimento desigual do capitalismo permite compreender seus diferentes estágios, que podem ser transformados qualitativamente sem alterar sua essência exploradora e monopolista. Entre as transformações atuais, ela identificou a luta entre as grandes potências por uma nova divisão de esferas de influência, interesses e espaços econômicos — um processo no qual, como lembrou, Lênin alertou que as relações entre as potências determinam, em última instância, a força econômica, financeira e militar.

Em sua visão, as mudanças no equilíbrio de poder durante o século XXI, junto ao declínio relativo da hegemonia dos EUA, estão acelerando a transição para uma estrutura multipolar.

Ela mencionou o surgimento dos BRICS, a fragmentação das cadeias de valor e a reorientação dos fluxos comerciais como expressões desse processo.

A acadêmica advertiu, contudo, que essas transformações ainda não significam uma mudança na atual estrutura econômica global, que continua baseada nos mecanismos hegemônicos do capitalismo.

Essas são, segundo ela, mutações do imperialismo por meio de novos blocos e alianças.

Németh Lesznova considerou que a natureza conflituosa dessa transição também se expressa nas relações entre os Estados Unidos e seus aliados europeus. Segundo sua explicação, a pressão de Washington para aumentar os gastos militares e as divergências sobre interesses estratégicos revelam crescentes contradições dentro da OTAN.

Ela também relacionou esse processo à guerra comercial iniciada pelo governo Trump, argumentando que as medidas protecionistas dos EUA poderiam acelerar a reconfiguração dos mecanismos e blocos econômicos e, a longo prazo, provar-se contrárias aos objetivos de Washington.

A especialista também abordou os limites do poder dos EUA com base em suas experiências militares após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ela lembrou os casos do Vietnã, Somália, Líbano, Afeganistão e Iraque, bem como os ataques contra o Irã, para argumentar que o poder tecnológico e financeiro não garante a realização dos objetivos políticos de uma potência imperialista.

Ela situou a política dos EUA em relação a Cuba nesse contexto, caracterizado, segundo ela, pela intensificação das sanções e da pressão econômica. Ela sustentou que o bloqueio é o principal obstáculo ao desenvolvimento da economia cubana e que as novas medidas exacerbaram as dificuldades de acesso a petróleo, medicamentos, alimentos e suprimentos.

Apesar disso, ela enfatizou que Cuba “não cedeu nem renunciou ao seu projeto de nação independente e soberana”, identificada com a Revolução e seu caráter socialista, proclamada em abril de 1961.

Para Németh Lesznova, essa resistência assume um significado particular no centenário do nascimento do líder histórico da Revolução, Fidel Castro.

A homenagem que o povo cubano presta ao líder histórico da Revolução, destacou ela, é precisamente “sua resistência contra a asfixia genocida” que os Estados Unidos impõem à ilha.

O 19º Seminário Internacional sobre Lutas contra o Neoliberalismo, cujo tema deste ano é Guerra e Paz: Crise Orgânica do Capital, Brasil e o centenário de Fidel Castro, reúne desde ontem pesquisadores, acadêmicos, líderes sociais e representantes internacionais para analisar a crise do capitalismo e as transformações da geopolítica global.

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