Terça-feira, Setembro 29, 2026
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Kast alinha o Chile ao polêmico Escudo das Américas

Santiago do Chile, 23 de set (Prensa Latina) A decisão do presidente José Antonio Kast de integrar o Chile ao chamado Escudo das Américas gera hoje rejeição em setores da oposição, uma vez que pode comprometer a soberania e a política externa do país.

Impulsionada pelo chefe da Casa Branca, Donald Trump, com o objetivo alegado de combater o narcotráfico, a criminalidade, o terrorismo e outros delitos, essa estrutura é vista como uma ferramenta de intervenção militar e de subordinação aos Estados Unidos.

O Partido Socialista (PS) classificou a decisão como um péssimo sinal e questionou o fato de o governo ter avançado nesse sentido sem um debate público suficiente e sem tornar transparentes os seus alcances em áreas como defesa, inteligência, presença de agentes estrangeiros no país e eventual participação em operações conjuntas.

O Escudo das Américas não é simplesmente um mecanismo de intercâmbio de informações; é uma aliança de segurança com dimensão militar, convocada por Trump no âmbito de uma política que reivindica abertamente a primazia dos Estados Unidos no hemisfério, alertou o PS.

Questionado sobre as dúvidas que essa aliança gera, o presidente Kast afirmou, em entrevista coletiva em Nova York, que não se trata de um tratado nem de algo que preveja a participação do Chile em operações militares, mas sim de uma coordenação entre os países e de um intercâmbio de informações relacionadas a organizações criminosas.

Segundo o veículo digital *El Mostrador*, essa declaração contrasta com a linguagem utilizada por Trump ao lançar a iniciativa em março, quando anunciou uma “nova coalizão militar” e convocou os países participantes a utilizarem suas forças armadas contra os cartéis.

Vários legisladores expressaram preocupação com essa adesão, e o deputado Ignacio Achurra, da Frente Ampla, opinou que uma decisão desse tipo deveria ter sido discutida no Congresso Nacional.

O parlamentar questionou a falta de informações sobre os compromissos assumidos pelo Chile e alertou para eventuais consequências para a soberania nacional. O senador Iván Flores, da Democracia Cristã, também alertou sobre essa questão.

“A soberania dos países é uma linha que deveria ser muito nítida e, com isso, acredito que começamos a fazer parte de um clube, e já sabemos quem o dirige”, afirmou.

Enquanto isso, o deputado Marcos Ilabaca, do PS e membro da Comissão de Controle do Sistema de Inteligência do Estado, alertou para a falta de clareza sobre os compromissos assumidos pelo Executivo e anunciou que o tema fará parte da interpelação ao chanceler Francisco Pérez Mackenna na próxima semana.

idm/car/glmv

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