O assunto voltou à tona depois que o atual ministro da Justiça, Fernando Rabat, revelou que há mais de 100 pedidos nesse sentido, a maioria de pessoas condenadas por crimes contra a humanidade durante a ditadura (1973-1990).
Questionado sobre o assunto, o ex-ministro da Justiça, Luis Cordero, lembrou que esses casos não podem ser perdoados e exortou o governo a respeitar a Constituição, a lei e o direito internacional.
Em entrevista à Rádio Infinita, Cordero foi questionado especificamente sobre Miguel Krassnoff, condenado a mais de mil anos de prisão por tortura, assassinato e desaparecimento de pessoas, que afirmou ter certeza de que em breve obterá liberdade total.
A esse respeito, ele lembrou que Krassnoff é um dos que nunca demonstrou arrependimento nem forneceu informações úteis para nenhuma das investigações.
O perdão não implica apenas uma decisão em relação a um indivíduo específico, mas à sociedade como um todo, considerando ainda que muitos familiares das vítimas da ditadura continuam vivos, advertiu.
O presidente chileno, José Antonio Kast, abordou o tema depois que os partidos de extrema direita Nacional Libertário e Republicano, dos quais ele é fundador, o instaram a promover o perdão geral.
Kast afirmou que não aplicará uma regra geral para decidir sobre os pedidos apresentados ao governo e revelou que estão analisando “caso a caso”.
No entanto, ele anunciou que o governo levará em conta a situação de saúde dos condenados, independentemente da gravidade dos crimes cometidos, pois, segundo ele, “não é correto que uma pessoa morra na prisão”.
O tema gera rejeição na sociedade e, de acordo com a pesquisa da Criteria, 59% da população se opõe à possibilidade de indultar os condenados por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura.
Para María Luisa Sepúlveda, que trabalhou mais de 50 anos na área de direitos humanos, invalidar o que a justiça em democracia está decidindo é grave.
“O perdão deve confrontar-se com a verdade, mas não conheço nenhum agressor que reconheça seu abuso”, disse ela em entrevista à rede CNN Chile.
Neste mês de setembro, por ocasião do 53º aniversário do golpe de Estado, foram organizados inúmeros eventos e peregrinações em homenagem ao presidente Salvador Allende e a todas as vítimas do regime de Augusto Pinochet.
Durante uma cerimônia no Cemitério Geral, a ex-senadora e filha do presidente, Isabel Allende, declarou que não há motivo nem justificativa para indultar aqueles que têm em suas mãos e em sua consciência a responsabilidade pelos piores crimes que este país já conheceu.
De acordo com relatórios da Comissão Valech, cerca de 40 mil pessoas foram vítimas da ditadura e ainda há mais de mil cujo paradeiro é desconhecido.
O escritório de advocacia Caucoto Abogados, especializado em direitos humanos, divulgou recentemente uma lista de 13 responsáveis por crimes contra a humanidade que estão foragidos da justiça.
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