A cúpula, realizada no último fim de semana e que reuniu líderes e representantes de alto nível dos 11 países membros e 10 parceiros, incluindo Cuba, destacou-se pela qualidade de sua organização, mas principalmente pela força de suas discussões e resultados.
Na reunião dos Estados-membros, representantes de alto nível, incluindo o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, como anfitrião, e os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, Xi Jinping, da China, Ciril Ramaphosa, da África do Sul, e Massoud Pezheskian, do Irã, entre outros, analisaram as conquistas conjuntas do bloco.
Eles abordaram a direção política, que é fundamental para a continuidade do ímpeto da parceria do BRICS.
Nesse contexto, a Índia buscou dar continuidade ao trabalho das presidências anteriores, concentrando-se no tema de seu próprio mandato: Construindo resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade.
Sob essa orientação e com base no princípio de priorizar a humanidade, as autoridades indianas defenderam seu objetivo de tornar a cooperação do BRICS mais prática, voltada para o futuro e responsiva às prioridades da população. A sessão dos países-membros, sob o tema “Governança Global Inclusiva e Fortalecimento do Multilateralismo”, também coincidiu com o Dia das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, proporcionando um cenário ideal para discutir o papel das economias emergentes e em desenvolvimento em uma ordem mundial em transformação.
Na ocasião, os participantes apresentaram suas respectivas perspectivas nacionais, mas houve amplo consenso sobre a necessidade de fortalecer o multilateralismo e garantir que as instituições de governança global sejam mais representativas, inclusivas, eficazes e responsivas às realidades atuais.
Os líderes reiteraram seu apoio a uma reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo seu Conselho de Segurança, para conceder maior representação aos países em desenvolvimento, bem como à reforma da arquitetura financeira internacional para dar mais voz às nações e ao Sul Global.
A discussão reafirmou os fundamentos da cooperação do BRICS, baseados no respeito mútuo, igualdade, solidariedade, abertura, inclusão e consenso, abordando as diferenças por meio do diálogo e da consulta.
Uma abordagem semelhante caracterizou a troca de opiniões sobre a situação geopolítica, com análises do impacto dos conflitos em curso e das incertezas econômicas, ressaltando a importância do diálogo, da diplomacia e da resolução pacífica das divergências.
Em seu discurso, Modi enfatizou a importância de fortalecer a voz do Sul Global e reformar a governança global para torná-la mais representativa, inclusiva e adaptada às realidades contemporâneas.
Ele destacou a necessidade de o BRICS manter o foco na cooperação prática e em resultados orientados para o desenvolvimento que melhorem a vida das pessoas.
O primeiro-ministro indiano apresentou quatro iniciativas colaborativas específicas, incluindo o desenvolvimento de um roteiro para a reforma da governança global e o estabelecimento de uma rede de apoio emergencial para auxiliar marítimos em situações de perigo em todo o mundo.
Ele também propôs apoio às negociações no Sul Global, visando desenvolver as capacidades de funcionários e jovens profissionais dessa região, aprimorando suas habilidades e competências em áreas novas e emergentes, como tecnologia e definição de padrões globais.
Um momento crucial foi a adoção de uma Declaração de Líderes do BRICS clara em Nova Deli, que estabelece inequivocamente prioridades compartilhadas, compromissos e a direção futura da cooperação do grupo.
Sua adoção demonstrou que os membros do bloco são capazes de fomentar e alcançar consenso sobre questões de importância global e que esse espírito de colaboração e cooperação entre os membros é fundamental para motivar e aumentar a confiança no funcionamento do grupo.
A cúpula também gerou mais de 50 resultados práticos enquadrados nos quatro pilares de resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade, proporcionando uma visão do progresso alcançado em relação a essas prioridades.
A forte participação na cúpula, incluindo representantes dos 10 países-parceiros e convidados especiais, refletiu a importância atribuída ao BRICS, seu crescente engajamento com o mundo em desenvolvimento e o Sul Global, e a confiança na presidência da Índia.
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